As políticas de austeridade implementadas pelo presidente Javier Milei estão começando a produzir efeitos com uma desaceleração da inflação. No entanto, os custos sociais e financeiros dessa estratégia estão se tornando cada vez mais evidentes: a inadimplência cresce tanto entre consumidores quanto empresas, refletindo o aumento do estresse financeiro no país.
Os bancos começaram a registrar os primeiros sinais de deterioração do crédito. Em março, os saldos em atraso no cartão de crédito chegaram a 2,8%, o maior índice em três anos e o número de cheques devolvidos subiu para mais de 64 mil em abril — o maior patamar desde a pandemia, há cinco anos — com uma taxa de rejeição de 1,3%.
O aperto fiscal promovido por Milei, embora tenha contribuído para frear a inflação, que ainda permanece em torno de 50% ao ano, também provocou estagnação dos salários e queda do consumo. Setores como indústria, varejo, construção e entretenimento relatam dificuldade em manter operações em meio à queda da demanda.
O cenário é agravado pela mudança no comportamento dos investidores, os quais tem optando por ativos dolarizados. Isso resultou na perda de acesso ao mercado de capitais para diversas empresas, que agora enfrentam dificuldades para captar recursos.
A crise de crédito representa um desafio político significativo para o governo Milei, que se aproxima das eleições de meio de mandato, marcadas para outubro. O desempenho nas urnas será um termômetro do apoio popular às duras medidas econômicas adotadas até aqui.
A tensão entre a necessidade de manter a estabilidade fiscal e a urgência de estimular a economia coloca Milei diante de um dilema complexo. E o tempo, tanto para as famílias quanto para o governo, parece cada vez mais curto.
*Fonte: valor.globo.com – Texto produzido com auxílio de IA







