Depoimento de Patrícia Bettin Chaves expôs o início das fraudes e destacou prejuízos a aposentados de baixa renda
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS realizou, nesta quinta-feira (28), a sua primeira oitiva. A sessão foi marcada pelo depoimento da defensora pública Patrícia Bettin Chaves, coordenadora do setor previdenciário da Defensoria Pública da União (DPU).
Durante o depoimento, Patrícia afirmou ter identificado indícios de descontos irregulares em aposentadorias e pensões desde 2019, período em que Jair Bolsonaro (PL) ocupava a Presidência. No entanto, disse que passou a aprofundar a análise em 2023, já na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando assumiu a Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da DPU.
Segundo a defensora, havia um padrão nos valores e na forma como os descontos eram aplicados. “Identificamos que os descontos ocorreram em aposentados e pensionistas, em sua maioria idosos, de baixa renda, com benefício mínimo. Muitos deles estavam em comunidades remotas, indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Era um padrão, tanto nos valores, que variavam de R$ 30 a R$ 90, quanto no vínculo com contratos de crédito consignado”, afirmou.
O depoimento gerou controvérsias entre os parlamentares, sobretudo em relação ao período em que as fraudes teriam começado.
Ainda durante a reunião, a CPI aprovou requerimentos para ampliar a coleta de informações. Entre eles, o que solicita o levantamento das entradas e saídas de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, no Ministério da Previdência entre 2019 e 2025. Ele é apontado como um dos operadores do esquema, atuando na intermediação entre associações fraudulentas e servidores públicos.
Outro requerimento, que previa a quebra do sigilo das idas de Antunes ao Senado, não foi votado. Ao todo, 37 requerimentos foram aprovados na sessão, incluindo pedidos de documentos e informações ao INSS e a outros órgãos públicos.
Fonte: Jovem Pan News e Metróples