Quase três mil garrafas adulteradas são encontradas em barracão de Jundiaí; frequência das operações sugere estrutura organizada por trás do esquema e expõe vulnerabilidade do mercado paulista de bebidas
A cada nova operação policial, consolida-se uma realidade preocupante: o estado de São Paulo se tornou um dos maiores polos de falsificação de bebidas do país. Praticamente todos os dias, galpões, depósitos e barracões são descobertos abastecendo o mercado ilegal que, ao que tudo indica, opera com estrutura semelhante à de organizações criminosas, com forte capilaridade e logística eficiente.
A mais recente ação ocorreu nesta semana em Jundiaí (SP), quando a Polícia Civil apreendeu quase três mil garrafas de bebidas com indícios de adulteração em um barracão usado como ponto de armazenamento. A operação integra as investigações sobre casos de contaminação por metanol em bebidas destiladas, substância altamente tóxica e que pode causar cegueira e morte.
Segundo o boletim de ocorrência, os agentes localizaram 2.955 garrafas suspeitas. Uma empresa especializada foi acionada e confirmou que os produtos apresentavam características claras de falsificação, reforçando a suspeita de que o depósito era parte de uma engrenagem maior.
As autoridades agora trabalham para identificar o responsável pelo espaço, que funcionava sem qualquer controle sanitário ou fiscalização. A investigação tenta mapear também a rota de distribuição dessas bebidas, que acabam chegando a bares, mercados e festas clandestinas, enganando o consumidor com rótulos perfeitos, tampas seladas e embalagens que imitam marcas consolidadas.
Crime organizado e mercado paralelo crescente
O volume de apreensões recentes, aliado à frequência quase diária de novas descobertas, levanta a suspeita de que estruturas do crime organizado estejam por trás da fabricação e distribuição dessas bebidas. O esquema envolve compra de garrafas recicladas, produção clandestina, adulteração química e inserção dos produtos no mercado formal e informal com margens de lucro altíssimas.
Enquanto isso, o consumidor paulista vive um cenário de risco constante, levando “gato por lebre” tanto no setor de destilados quanto no de cervejas, também alvo de falsificadores. Rótulos idênticos, preços atraentes e embalagens aparentemente legítimas dificultam qualquer identificação prévia do produto adulterado.
A ocorrência cada vez maior de apreensões de lotes de bebidas falsificadas, reforça a dimensão do problema: a falsificação de bebidas no estado de São Paulo não é pontual, é sistêmica e cresce à sombra da lucratividade e da impunidade.
Fontes: G1 Sorocaba, Metropoles e Folha de S. Paulo







