O cerne dessa união é a pressão para governo federal não dar aumento real ao salário mínimo e promover a desvinculação do BPC e aposentadorias do salário mínimo
A articulação que se observa entre o polo financeiro, representado simbolicamente pela Faria Lima, e as principais siglas do Centrão (PP, União Brasil e PSD) é um dos movimentos políticos mais cínicos e prejudiciais à coesão social brasileira dos últimos tempos.

O cerne dessa ofensiva é a exigência de cortes brutais nas políticas que visam à redução das desigualdades. A pressão para desvincular o aumento real do salário mínimo (e, por consequência, das aposentadorias e do BPC) do crescimento do PIB e da inflação é, na prática, uma condenação à estagnação ou à piora do poder de compra dos mais pobres.
Adicionalmente, a defesa da desvinculação dos gastos obrigatórios em áreas cruciais como educação e saúde, sob o pretexto de ‘flexibilidade’, esconde o objetivo de abrir espaço para cortes futuros e descompromisso do Estado com serviços essenciais, dos quais a maioria da população depende exclusivamente.
O que torna essa articulação moralmente insustentável é o contraste gritante entre os cortes exigidos para os pobres e a defesa intransigente de privilégios dos poderosos.
O mesmo grupo que clama por ‘austeridade’ e ‘responsabilidade fiscal’, quando se trata do salário mínimo e da saúde pública, defende com veemência a manutenção de bilhões em subsídios, isenções fiscais e benesses para grandes empresários e setores específicos do agronegócio e da indústria.
A hipocrisia do ‘Centrão’ também se manifesta no aumento das emendas impositivas, cujo uso carece de fiscalização e rastreamento rigorosos. Tal verba não representa um gasto em prol do desenvolvimento nacional, mas combustível para o fisiologismo e a compra de votos em seus ‘currais eleitorais’.
Da mesma forma, o engrossamento dos Fundos Partidário e Eleitoral injeta bilhões de reais no sistema político, garantindo o controle das máquinas partidárias e a perpetuação das oligarquias no poder político do país, muitas vezes transmitido de pai para filhos, netos e bisnetos.
A união da Faria Lima e do Centrão revela o lado mais perverso do nosso sistema político-econômico: uma elite que usa seu poder de veto no Congresso para proteger e aumentar sua fatia da riqueza, enquanto penaliza a base da sociedade.
Essa articulação não se deve à ‘responsabilidade fiscal’, mas sim à manutenção da concentração de riqueza gerada pelo governo nas mãos dos mesmos grupos e à conservação do status quo na política brasileira, especialmente em nível federal e estadual.”
Por Marco Antônio Mourão








