Apostar no mercado interno e na capacidade de consumo do povo brasileiro é a estratégia mais segura para garantir que o Brasil continue trilhando o caminho do crescimento econômico com inclusão social.
Há um mito persistente em certos setores econômicos de que o bem-estar social e o rigor fiscal são forças antagônicas. Segundo essa visão, a transferência de renda seria um “fardo” que a economia, em algum momento, deixaria de suportar.
No entanto, os dados recentes do cenário brasileiro contam uma história diferente e muito mais animadora: o fortalecimento da renda é, na verdade, a variável estratégica que mantém as engrenagens da nossa economia girando com vigor.
Atualmente, a massa de rendimentos mensal no Brasil atingiu o patamar histórico de um pouco mais de R$ 360 bilhões. Esse valor não é apenas um número estatístico; ele representa o “piso” que sustenta o setor de serviços e o varejo, criando uma base sólida para o empreendedorismo e a produção nacional. Quando o trabalhador ganha mais, ele consome mais, e esse consumo das famílias é o principal combustível do motor da nossa demanda agregada.
O aumento (reposição da inflação + 2,5 % = 6,79 %) aplicado ao salário mínimo a partir de 1º de janeiro de 2026 deve ser celebrado como um estímulo adicional inteligente. Ao injetar bilhões de reais diretamente no mercado interno, a política de valorização real garante que o poder de compra não seja corroído pela inflação, mas sim expandido.
Quando a renda dos trabalhadores cresce, estabelece-se um ciclo virtuoso:
- Aumento da demanda: as famílias compram mais bens e serviços.
- Expansão da produção: para atender à demanda, as empresas produzem mais e investem em capacidade.
- Geração de empregos: o aquecimento do mercado leva a recordes de ocupação da população, como os que temos observado nesses últimos dois anos.
Para ilustrar a importância dessa lógica, imagine a economia brasileira como um carro em plena aceleração. O salário mínimo e os benefícios indexados funcionam como o combustível. Tentar economizar justamente agora, através de propostas de desindexação ou fim do aumento real, seria como cortar o combustível no momento em que o veículo está começando atinger uma performance melhor. O resultado seria inevitável: perda de força, redução da velocidade, risco de uma estagnação desnecessária e aumento do desemprego.
É evidente que ainda enfrentamos desafios estruturais. Ter dezenas de milhões de pessoas fora da força de trabalho e uma taxa de informalidade de quase 50% exige atenção e reformas que facilitem a formalização. Contudo, esses desafios não anulam o fato de que a economia está excepcionalmente aquecida e que o vetor central dessa atividade é a política de valorização da renda dos trabalhadores.
Manter o poder de compra dos brasileiros não é apenas uma medida de justiça social, embora isso, por si só, já é nobre. É, acima de tudo, um fundamento macroeconômico pragmático.
Apostar no mercado interno e na capacidade de consumo do povo brasileiro é a estratégia mais segura para garantir que o Brasil continue trilhando o caminho do crescimento econômico com inclusão social.
Por Marco Antônio Mourão – profissional do setor educacional, ocupou vários cargos em escolas de educação básica e superior. Sócio proprietário da empresa Equipe Assessoria Educacional Ltda. Incentivador e investidor na democratização das “Mídias Sociais na Internet”








