Enquanto a Polícia Civil desmonta uma fábrica clandestina aqui, outras surgem, num ciclo aparentemente interminável que tem custado não apenas milhões em perdas comerciais, mas vidas humanas.
A prisão de mais uma suspeita nesta sexta-feira (9) em Rio Claro, no distrito de Ajapi, revela apenas a ponta do iceberg de um problema que se arrasta pelo interior paulista: as autoridades estão travando uma batalha de “enxugar gelo” contra a falsificação de bebidas alcoólicas de grandes marcas.
Enquanto a Polícia Civil desmonta uma fábrica clandestina aqui, outras surgem, num ciclo aparentemente interminável que tem custado não apenas milhões em perdas comerciais, mas vidas humanas.
A operação que prendeu a irmã de um suspeito detido um dia antes ilustra bem a natureza reativa e insuficiente do combate atual.
As autoridades paulistas estão sempre atrasadas, agindo sempre depois que o estrago já está feito, depois que as bebidas adulteradas já circularam, depois que consumidores já as ingeriram. E, em muitos casos trágicos, depois que já morreram intoxicados.
O verdadeiro escândalo não está apenas na proliferação das fábricas clandestinas, mas na ineficiência das autoridades sanitárias em fornecer respostas rápidas e precisas quando casos de intoxicação ocorrem. Consumidores paulistas têm morrido por envenenamento causado por substâncias tóxicas em bebidas falsificadas, enquanto as análises laboratoriais demoram semanas para serem concluídas. Essa morosidade transforma cada garrafa suspeita em uma roleta-russa nas prateleiras.
A demora nas respostas cria um efeito colateral perverso: vendedores e revendedores honestos, que adquirem produtos de fornecedores legítimos, veem seus negócios afundarem sob a nuvem de suspeita generalizada.
Quando uma morte por intoxicação ocorre e as autoridades sanitárias levam semanas para identificar a origem do produto contaminado, todos os comerciantes da região sofrem as consequências. Clientes desconfiam, vendas despencam, reputações construídas ao longo de anos desmoronam da noite para o dia.
Enquanto isso, os falsificadores operam com agilidade e adaptabilidade que as estruturas burocráticas governamentais simplesmente não conseguem acompanhar.







