Enquanto a Prefeitura alega “cofres vazios” para tapar buracos e limpar a cidade, a cúpula do governo André Braga articula reajuste para os próprios salários; manobra aprofunda abismo entre o “alto clero” e o servidor que ganha pouco.
A gestão do prefeito André Braga vive um momento de contradição aguda que beira o escárnio com o cidadão ferreirense. No centro do palco, uma pressão vinda diretamente do primeiro escalão: secretários e chefes de gabinete articulam um reajuste nos próprios subsídios (salários) com índices que variam entre 4% e 6%. O movimento ocorre em um cenário de terra arrasada na zeladoria urbana e de um funcionalismo público rachado pela desigualdade salarial.
O argumento oficial da administração para a paralisia da cidade é a falta de dotação orçamentária. Quem caminha pelas ruas de Porto Ferreira encontra um cenário de abandono:
- Infraestrutura: vias esburacadas que danificam veículos e colocam em risco a segurança.
- Zeladoria: mato alto em praças e calçadas, dando à cidade um aspecto de desleixo total.
- Saúde: falta de recursos básicos, filas enormes para exames e consulltas com especialistas
A desculpa de que o maquinário está sucateado e que não há verba para contratar empresas de manutenção cai por terra quando o foco se volta para a folha de pagamento. Atualmente, os gastos com pessoal da Prefeitura flertam perigosamente com o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Romper esse teto pode inviabilizar repasses federais e estaduais, mas, ao que parece, o bem-estar financeiro dos “Marajás” da administração é prioridade sobre a saúde fiscal do município.
A maior indignação, porém, reside na forma como esse reajuste é pleiteado. O primeiro escalão exige que o aumento seja unificado em porcentagem para todos. Na prática, essa é a matemática da injustiça:
- Para o alto escalão: um reajuste de 6% sobre salários que rondam os R$ 20.000,00 significa um acréscimo de mais de R$ 1.200,00 mensais — valor que, sozinho, é quase metade do que ganha um servidor comum.
- Para o servidor de chão: mais de 50% dos funcionários da prefeitura sobrevivem com menos de R$ 2.700,00 (já somado o auxílio-alimentação). Para estes, os mesmos 6% não chegam a R$ 100,00 líquidos na conta.
.. é a política do “muito para poucos e migalhas para muitos, enquanto o secretário quer garantir o jantar de luxo, o servidor da base luta para fechar a conta do mercado”
O impacto não se restringe apenas ao caixa imediato. O aumento dos subsídios dos cargos de confiança reverbera no PortoPreve, sobrecarregando ainda mais o sistema previdenciário municipal que já enfrenta desafios estruturais.
A população, que paga seus impostos e convive com a sujeira e o descaso, agora observa o prefeito André Braga em uma encruzilhada: ceder à pressão dos seus aliados de gabinete e assinar o atestado de “gestão para as elites”, ou priorizar a recuperação da cidade e a valorização real de quem ganha menos.
Por ora, o que se vê em Porto Ferreira é uma cidade que “não tem dinheiro” para o asfalto, mas parece ter sobra de recursos para alimentar o ego e o bolso de quem já ganha muito.







