Interesses de segurança, energia e disputa global explicam a pressão dos Estados Unidos sobre Teerã
Os Estados Unidos têm um interesse estratégico direto em uma mudança de regime no Irã, motivado por segurança nacional, equilíbrio de poder e reorganização geopolítica, e não por promoção da democracia. Desde a Revolução Islâmica de 1979, Teerã se consolidou como o principal desafio ao sistema de alianças liderado por Washington no Oriente Médio.
Ao longo de décadas, o Irã construiu uma rede de influência regional por meio de grupos e governos aliados no Líbano, Iraque, Síria, Iêmen e Palestina, estratégia que permite projetar poder sem confronto militar direto. Para Israel, aliado central dos EUA, o regime iraniano representa a maior ameaça à sua segurança, sobretudo diante da possibilidade de avanço do programa nuclear.
A questão energética também pesa. O Irã detém grandes reservas de petróleo e gás e exerce influência sobre o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de energia. Um país menos hostil ao Ocidente poderia contribuir para maior estabilidade nos mercados e reduzir a dependência de fontes russas.
Além disso, Teerã ocupa papel relevante no alinhamento com China e Rússia, fornecendo energia e apoio militar, e atuando como polo de contestação à hegemonia norte-americana. Enfraquecer o regime iraniano, portanto, teria impacto direto sobre os dois principais rivais estratégicos de Washington.
Apesar de tentativas anteriores por meio de sanções e pressão indireta, o regime mostrou resiliência. A combinação recente de desgaste econômico, protestos internos e mudanças no cenário regional alimenta a percepção, em Washington, de que uma nova janela de oportunidade pode estar se abrindo.
Fonte: cnnbrasil.com







