Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirma que organizações criminosas já atuam como máfias, infiltrando-se na economia formal e exigindo asfixia financeira.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, alertou que o crime organizado no Brasil transcendeu o tráfico de drogas para adotar características típicas de máfias. Em entrevista, o chefe do Ministério Público paulista destacou que essas facções agora exercem domínio territorial e infiltram-se em setores estratégicos da economia formal, como transporte público, combustíveis e crimes ambientais.
Para o procurador, o enfrentamento moderno exige uma mudança de foco. “É preciso mirar no andar de cima”, afirmou, defendendo que a prioridade deve ser a asfixia financeira e o desmantelamento das cadeias logísticas. “O que há de mais moderno é seguir o dinheiro, atingir o patrimônio e desorganizar o domínio territorial”, explicou.
Os dados de 2025 reforçam a magnitude do desafio. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) realizou 145 operações, resultando em:
- 442 prisões e 1.179 mandados de busca;
- Bloqueio de ativos superiores a R$ 48 bilhões;
- Apreensão de 197 imóveis e mais de 2,6 mil veículos.
Oliveira e Costa defende a aprovação do novo marco legal do combate ao crime organizado no Congresso. Um dos pontos centrais é a ação civil autônoma de perdimento de bens, que permite ao Estado confiscar patrimônio de origem ilícita mesmo sem o trânsito em julgado na esfera penal. Segundo ele, isso evita retrocessos jurídicos, como a devolução de bens de luxo a lideranças criminosas por vícios formais.
O procurador concluiu ressaltando que a segurança pública deve ser tratada como política de Estado, “acima de partidos e abaixo de palanques”, priorizando a inteligência integrada entre as polícias e o Ministério Público para conter a corrupção nas administrações públicas e garantir a proteção das vítimas.
Fonte: Estadão







