Pesquisa com mais de 6,7 mil espécies aponta que aumento da temperatura pode causar extinções locais e reforça a urgência de corredores ecológicos
O avanço do aquecimento global pode levar à extinção de anfíbios da Mata Atlântica nas próximas décadas e forçar a migração de diversas espécies. A conclusão é de um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que analisou dados de 6.732 espécies de plantas, vertebrados e invertebrados do bioma.
Segundo a pesquisa, sapos, rãs e pererecas que vivem em áreas de maior altitude estão entre os mais ameaçados. Esses animais têm baixa capacidade de dispersão e dependem diretamente da temperatura do ambiente, o que dificulta a adaptação ao aumento do calor.
O trabalho, publicado em 2025 na revista Global Change Biology, cruzou registros de ocorrência das espécies com dados fisiológicos de tolerância térmica e projeções climáticas entre 2060 e 2080. Mesmo em cenários considerados otimistas, a temperatura média da Mata Atlântica pode subir até 3 °C.
Com o aquecimento, os pesquisadores identificaram uma tendência de êxodo de espécies de regiões mais quentes e baixas para áreas de maior altitude, como a Serra do Mar, a Serra da Mantiqueira e a Serra do Espinhaço. Para muitas espécies restritas a ambientes montanhosos, seria necessário subir cerca de 500 metros ou percorrer até 30 quilômetros em busca de condições mais amenas, um deslocamento inviável para pequenos anfíbios.
As projeções indicam que, em um cenário moderado, plantas e animais podem perder em média 13% de sua área de distribuição, percentual que pode chegar a 27% em cenários mais extremos. Entre espécies com dados fisiológicos, a taxa de extinção local pode alcançar cerca de 8% até o fim do século.
Diante desse cenário, o estudo destaca a necessidade de criar corredores ecológicos para conectar fragmentos de floresta e permitir a migração segura de plantas e animais, reduzindo o risco de extinções na Mata Atlântica.
Fonte: g1.globo.com







