Enquanto estatal acumula queda de R$ 0,50 desde 2023, preço nas bombas sobe impulsionado por ICMS e margens de lucro de distribuidoras e postos
A Petrobras anunciou, nesta segunda-feira (26/01), um novo corte de 5,2% no preço da gasolina vendida por suas refinarias. A partir desta terça-feira (27/01), o valor do litro passa a ser de R$ 2,57, uma redução de R$ 0,14.
No entanto, o cenário para o consumidor final é de ceticismo: apesar das sucessivas quedas promovidas pela estatal, o valor pago nos postos de combustíveis continua subindo, “abocanhado” por uma combinação de impostos estaduais elevados e o aumento das margens de lucro do setor de distribuição e revenda.
Os dados revelam um descompasso gritante. Desde janeiro de 2023, a Petrobras reduziu o valor de venda da gasolina para as distribuidoras em R$ 0,50 por litro, uma queda real de 26,9% quando ajustada pela inflação. Contudo, essa economia não se traduz em alívio para o motorista.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina no país subiu de R$ 6,00 em janeiro para mais de R$ 6,32. Apenas nas primeiras semanas deste ano, houve uma alta de R$ 0,10 por litro, impulsionada diretamente pelo aumento da alíquota do ICMS, imposto estadual que passou para o valor de R$ 1,57 por litro
O setor vive um jogo de empurra. De um lado, os governos estaduais elevaram o ICMS para R$ 1,57 por litro em janeiro de 2026, alegando que o imposto é calculado sobre a variação do preço na bomba. Do outro, técnicos apontam que a redução da Petrobras é absorvida antes de chegar às mangueiras.
A principal razão para a carestia, segundo análises do setor, é o aumento de 31,3% no valor da margem de distribuição e revenda. Há fortes indícios de que distribuidoras e postos estejam atuando em forma de cartel, retendo a redução de custos para ampliar seus lucros em vez de repassar a competitividade ao cidadão.
O lucro em detrimento do consumidor – enquanto o preço do diesel permanece inalterado, a gasolina segue como a principal fonte de arrecadação e lucro. O resultado dessa equação é perverso:
- Petrobras: reduz preços e cumpre política de desoneração.
- Distribuidoras e Postos: elevam margens de lucro, ignorando as quedas da estatal.
- Governos Estaduais: mantêm cofres cheios com alíquotas de ICMS pressionadas.
- Consumidor: paga a conta mais cara, mesmo com o produto saindo mais barato da origem.
Sem uma fiscalização rigorosa sobre a formação de preços na ponta final da cadeia, a tendência é que o corte de R$ 0,14 anunciado hoje seja novamente “engolido” pelo “tal mercado” antes mesmo de chegar ao tanque dos veículos.







