Proposta que reduz jornada de trabalho avança para a CCJ, mas enfrenta resistência da direita, especialmente do Partido Novo, que argumenta que a matéria exige maior aprofundamento jurídico e econômico.
Deputados federais do Partido Novo têm recorrido a instrumentos regimentais para atrasar a tramitação do Projeto de Lei (PL) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa apenas um. A iniciativa, de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), é vista pelo Palácio do Planalto como uma das apostas do governo federal no debate sobre direitos trabalhistas e qualidade de vida
Até o momento, a previsão é de que o projeto seja analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, etapa considerada decisiva para a continuidade da proposta.
No entanto, parlamentares do Novo têm adotado estratégias como pedidos de vista, requerimentos de adiamento de discussão e questionamentos técnicos para prolongar a análise, argumentando que a matéria exige maior aprofundamento jurídico e econômico.
Em nota e em manifestações no plenário, o Partido Novo sustenta que o texto precisa ser examinado com mais precisão, por impactar diretamente o modelo de negócios, o comércio e a dinâmica da economia brasileira. Segundo a legenda, a redução da escala de trabalho pode gerar aumento de custos para empresas, além de possíveis efeitos sobre a competitividade e a geração de empregos.
Do outro lado, defensores do projeto afirmam que a proposta busca atualizar a legislação trabalhista diante das transformações no mundo do trabalho e do debate internacional sobre jornadas mais equilibradas.
A deputada Daiana Santos argumenta que o fim da escala 6×1 pode contribuir para a saúde física e mental dos trabalhadores, além de estimular a produtividade e o consumo, ao ampliar o tempo de descanso e convivência familiar.
Enquanto o embate se intensifica, a tramitação do PL segue cercada de incertezas. A análise na CCJ deve indicar se a proposta avançará para outras comissões ou para o plenário, mas a resistência de setores da direita sinaliza que o debate sobre o fim da escala 6×1 ainda deverá se estender, com forte polarização entre argumentos econômicos, sociais e eleitorais.
Fonte: Metropoles







