Mesmo em janeiro, período tradicionalmente fraco para contratações, comerciantes enfrentam dificuldade para preencher postos de trabalho
Placas de “contrata-se” voltaram a se espalhar pelo Centro Histórico de São Paulo e revelam um problema persistente no comércio: sobram vagas, faltam candidatos. Em apenas quatro ruas movimentadas da região, São Bento, Direita, Quinze de Novembro e Álvares Penteado, foram contabilizados 41 anúncios em vitrines de lojas de diferentes segmentos.
Janeiro costuma ser um mês de balanços e redução de equipes, mas neste início de 2026 a procura por funcionários se intensificou. Pequenos lojistas e grandes redes relatam dificuldades semelhantes, como baixa adesão ao regime CLT, recusa a jornadas longas, falta de comprometimento com horários e desistências após poucos dias de trabalho.
Na rua São Bento, onde se concentra o maior número de placas, praticamente todos os comércios ainda abertos buscam funcionários. Empresários afirmam que entrevistas marcadas frequentemente não são cumpridas e que muitos candidatos impõem condições para aceitar as vagas.
A falta de mão de obra afeta diretamente o faturamento, especialmente em setores que dependem de profissionais especializados, como salões de beleza e óticas. Mesmo com comissões maiores e tentativas de contratação de freelancers, muitos lojistas dizem não conseguir reter trabalhadores.
Para o economista Ricardo Rodil, a multiplicação das placas é um sinal claro de desequilíbrio no mercado. “Não falta vaga, falta gente disposta a ocupar essas vagas”, avalia. Segundo ele, salário, ambiente de trabalho, flexibilidade e gestão mais humanizada passaram a pesar na decisão dos trabalhadores.
O presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, aponta salários baixos e jornadas exaustivas como os principais entraves. Com piso de R$ 2.216 e escala 6×1, o comércio perde espaço para outros setores. “Enquanto essas questões não forem enfrentadas, as vagas vão continuar abertas”, afirma.
Fonte: dcomercio.com.br







