Mais saúde, maior longevidade e a redução da mão de obra jovem impulsionam a presença de pessoas mais velhas nas empresas e ajudam a quebrar preconceitos.
Aos 79 anos, Paulo Cizotto decidiu voltar ao mercado de trabalho para se manter ativo e complementar a renda. Há cinco meses, atua como operador de caixa em um supermercado de Ribeirão Preto, após uma longa trajetória profissional em áreas como contabilidade, vendas e no IBGE. Apesar do cansaço, ele afirma que a convivência com colegas mais jovens e os benefícios compensam o esforço.
Casos como o de Paulo refletem um movimento crescente no Brasil. Dados do IBGE mostram que, em 2024, mais de 8,3 milhões de pessoas acima dos 60 anos estavam ocupadas, o que representa 24,4% dessa faixa etária. Especialistas apontam que o envelhecimento da população, aliado a melhores condições de saúde, torna esse cenário irreversível.
Em São Paulo, mais de 2,1 milhões de idosos estavam trabalhando em 2023, um aumento de 55% em relação a 2014, segundo a Fundação Seade. A necessidade de complementar a renda, o prolongamento da vida ativa e a maior longevidade explicam o crescimento.
Empresas têm apostado nesse público, especialmente em áreas de atendimento ao cliente, onde experiência, paciência e empatia fazem diferença. Programas de contratação de pessoas acima dos 50 anos mostram resultados positivos, com ganhos em comprometimento, maturidade e troca entre gerações.
Além disso, gestores destacam que a presença de profissionais mais velhos ajuda a combater o etarismo e a desconstruir a ideia de dificuldade com tecnologia. Para especialistas, a idade tem menos peso do que a motivação e a disposição para aprender em um mercado de trabalho cada vez mais diverso e envelhecido.
Fonte: g1.globo.com







