Com déficit de efetivo policial, cidades como Tatuí e Itapetininga tornam-se alvos estratégicos; moradores relatam prejuízos e medo constante.
O que antes era uma característica de grandes metrópoles, agora dita o ritmo do medo no interior paulista. A chamada “Rota Paulista do Crime”, corredores logísticos que facilitam o escoamento de produtos ilícitos, tem consolidado a presença do crime organizado em municípios de médio porte.
O reflexo mais imediato dessa expansão é a insegurança pública, que se espalha como pólvora diante de um policiamento preventivo escasso e investigações que patinam na falta de pessoal.
O expansão do medo – em 2025, o município de Tatuí (SP), com cerca de 123 mil habitantes, tornou-se o retrato fiel dessa crise. Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) revelam uma média alarmante: ao menos três furtos por dia. Ao todo, foram 1.021 ocorrências registradas entre janeiro e dezembro, incluindo furtos de veículos e invasões a residências.
A audácia dos criminosos impressiona. No bairro dos Mirandas, uma moradora teve sua casa invadida enquanto viajava. Os assaltantes arrombaram o portão e levaram eletrônicos e eletrodomésticos, um prejuízo superior a R$ 8 mil. “O medo é que essa onda não pare em 2026. Precisamos de reforço urgente, não dá mais para viver assim“, desabafa a vítima.
Alvos digitais – o crime não se limita apenas ao valor físico dos objetos. O furto de celulares tornou-se uma porta de entrada para golpes financeiros e exposição de dados pessoais. Em Tatuí, lojistas de assistência técnica relatam um aumento na procura por serviços de rastreio por vítimas desesperadas para recuperar o aparelho antes que contas bancárias sejam esvaziadas.
A preocupação é real: além da perda do patrimônio, o cidadão do interior agora lida com o crime cibernético orquestrado por quadrilhas que operam na região.
A população cresce e segurança encolhe – o clamor popular por providências esbarra em um problema estrutural crônico: o déficit de efetivo. Enquanto a população e a mancha criminal crescem, o contingente das Polícias Militar e Civil vem diminuindo proporcionalmente ao longo dos anos.
A Guarda Civil Municipal (GCM) de Tatuí afirma que busca reforçar o patrulhamento, mas a responsabilidade constitucional de investigação e policiamento ostensivo cabe ao Governo do Estado, que não tem reposto as baixas no quadro de servidores.
Raio-X da região
Tatuí não está sozinha nesta estatística. A região próxima contabilizou 8.120 furtos em 2025.
- Tatuí: 1ª no ranking regional de furtos.
- Itapetininga: 2ª colocada, com mais de 1,5 mil ocorrências.
A GCM e as autoridades locais reforçam que a população deve sempre registrar o Boletim de Ocorrência (BO), seja presencialmente ou via Delegacia Eletrônica.
Sem o registro, os dados oficiais não refletem a gravidade da situação, dificultando a cobrança por mais recursos estaduais para combater o avanço da criminalidade no coração de São Paulo.
Fonte: G1 Globo Itapetininga







