Denúncia do MPF detalha como o ‘Prefeito Tiktoker’ e seu círculo familiar, incluindo um pastor evangélico, teriam transformado a Prefitura de Sorocaba em balcão de corrupção, negócios ilícitos e lavagem de dinheiro.
Por trás dos vídeos coreografados nas redes sociais e do discurso fervoroso de “homem de Deus”, a realidade desenhada pelo Ministério Público Federal (MPF) revela uma face sombria da gestão de Rodrigo Manga (Republicanos). O político, conhecido como o “Prefeito Tiktoker”, foi denunciado por integrar uma organização criminosa que, sob o manto da moralidade e dos bons costumes, teria saqueado os cofres da saúde de Sorocaba.
A denúncia, que tramita sob segredo de Justiça e foi revelada recentemente, coloca Manga como a “peça-chave” de um esquema de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Ao lado dele, sentam-se no banco dos réus sua esposa, Sirlange, e o concunhado do prefeito, o pastor evangélico Josivaldo Batista de Souza.
A hipocrisia do grupo ganha contornos dramáticos com a participação do pastor Josivaldo. Enquanto pregava valores espirituais, o líder religioso era, segundo o MPF, o fiel depositário da contabilidade suja do esquema. Em sua residência, foram encontrados R$ 700 mil em espécie.
Mais do que apenas guardar o dinheiro, o pastor mantinha uma planilha de “contabilidade paralela”. Para os procuradores, o documento é a prova cabal da “grandiosidade do esquema” que se instalou na prefeitura após a eleição de Manga.
A investigação aponta que a própria igreja era utilizada para lavar o dinheiro desviado, utilizando contratos fictícios com uma empresa de publicidade em nome da primeira-dama para dar aparência lícita ao que era fruto de crime.
O contraste entre a imagem pública de “cidadão de bem” e as práticas investigadas atinge o ápice no envolvimento do empresário Marcos Mott, amigo íntimo do prefeito. Na casa de Mott, a polícia apreendeu R$ 646 mil em”dinhiero vivo“.
O esquema operava principalmente nos setores da Saúde e Educação, maiores orçamentos municipais. Enquanto a população buscava atendimento médico, os recursos eram, segundo a denúncia, desviados para o núcleo familiar e político do prefeito.
O MPF agora pede:
- O confisco dos bens de todos os envolvidos.
- O ressarcimento integral dos valores desviados.
Afastado do cargo desde novembro por decisão do TRF-3, Manga vê seu império digital desmoronar diante de provas físicas que não aceitam filtros de edição.
A defesa do prefeito e de seus familiares nega categoricamente os crimes, mas o “homem de Deus” que Sorocaba elegeu agora precisa explicar à Justiça por que o caminho da salvação, no seu governo, parecia passar necessariamente pelo desvio de dinheiro público.
Fonte: G1 Sorocaba – Folha de S. Paulo e CBN Globo







