Cancelamento do último dia do Carnaval de 2026 de Porto Ferreira, anunciado apenas pelas redes sociais, expõe falta de planejamento, diálogo e sensibilidade política da gestão municipal.
O cancelamento do último dia do desfile dos blocos de Porto Ferreira, anunciado pelos secretários de Segurança e de Cultura por meio de vídeos publicados nas redes sociais oficiais da Prefeitura, não foi apenas uma decisão administrativa; foi um golpe no coração da identidade ferreirense.
Para muitos, a medida evidenciou o amadorismo da atual administração. Como ironizou um internauta: “Roubaram uma bicicleta. Vamos pegar o ladrão? Não. Vamos proibir as bicicletas. Hahahahaha.”
A cena que circulou no Facebook e no Instagram da Administração Municipal beirou o surrealismo burocrático. De um lado, o secretário de Segurança e Mobilidade Pública; de outro, o secretário de Cultura. Em um anúncio conjunto, selaram o destino da terça-feira de Carnaval, novamente sob críticas de improviso e falta de planejamento.
Para quem não vivencia o Carnaval de Porto Ferreira, tradição que se aproxima de 100 anos, talvez seja difícil compreender a dimensão da decisão. O último dia é o momento mais aguardado: quando todos os blocos, do mais humilde ao mais estruturado, convergem para a avenida na chamada apoteose. Cancelar essa etapa é como suprimir o capítulo final de um livro que a população escreve há quase um século.
A crítica que ecoa é direta: faltou sensibilidade política e sobrou amadorismo estratégico.
O uso exclusivo das redes sociais para comunicar uma decisão dessa magnitude, sem coletiva de imprensa aberta a questionamentos nem diálogo prévio com os presidentes dos blocos, reforça a percepção de uma gestão despreparada para lidar com a complexidade administrativa de um município contemporâneo.
Não se cancela apenas o confete. Cancelam-se investimentos humanos e materiais em fantasias, ensaios e alegorias. Desvaloriza-se também uma das principais vitrines da cidade, já que Porto Ferreira tem no Carnaval uma de suas mais marcantes expressões culturais.
Ao “desligar o som” da avenida no dia mais simbólico da folia, a atual administração municipal deixa um recado amargo: quando mal conduzida, a burocracia é capaz de silenciar até o samba mais antigo.
Veja a manifestação contra o cancelamento nesse vídeo







