Memória da invasão de 2003 levanta dúvidas sobre objetivos e consequências da nova ofensiva americana no Oriente Médio
A queda de uma estátua de Saddam Hussein em Bagdá, em abril de 2003, tornou-se símbolo da invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos. Civis tentaram derrubar o monumento, mas a estrutura só caiu com a ajuda de tropas americanas e de um veículo blindado, marcando o início da queda do regime.
Poucas semanas depois, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, apareceu em um porta-aviões sob um banner com a frase “Missão cumprida”. A guerra, no entanto, estava longe do fim. O conflito se prolongou por anos, deixou centenas de milhares de mortos e custou trilhões de dólares aos EUA.
Mais de duas décadas depois, a lembrança daquela intervenção volta ao debate diante do atual confronto entre Washington e o Irã. Analistas apontam paralelos entre os dois momentos, principalmente quanto à falta de clareza sobre os objetivos e sobre o que pode acontecer após as ações militares.
A invasão do Iraque foi justificada, entre outros motivos, pela alegação de que o país possuía armas de destruição em massa. As armas nunca foram encontradas, o que abalou a confiança pública nos líderes que defenderam a guerra, incluindo o então primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Agora, a ofensiva americana contra o Irã ocorre em um cenário internacional diferente. O governo de Donald Trump atua mais próximo de Israel e sem a ampla coalizão internacional que marcou a guerra de 2003.
Especialistas alertam que o maior desafio pode ser o mesmo enfrentado no Iraque: definir o que vem depois do conflito. A experiência passada mostra que derrubar estruturas de poder pode ser rápido, mas reconstruir estabilidade política e regional costuma ser muito mais difícil.
Fonte: bbc.com







