Joseph Kent afirmou que o Irã não representava ameaça imediata aos americanos e aponta influência de Israel na decisão de Washington
O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, pediu demissão nesta terça-feira (17) em protesto contra a ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Ele se tornou o primeiro integrante de alto escalão do governo de Donald Trump a deixar o cargo por discordar do conflito.
Em carta enviada ao presidente, Kent afirmou que não poderia apoiar a guerra em andamento e sustentou que o Irã não representa uma ameaça iminente aos Estados Unidos. Veterano das Forças Especiais, com histórico em missões de combate, ele disse agir por convicção diante do cenário atual.
O ex-diretor também criticou a influência externa sobre decisões de Washington e responsabilizou Tel Aviv pela escalada militar. Segundo ele, o governo americano teria cedido à pressão de autoridades israelenses e de grupos de influência internos.
Na avaliação de Kent, essa articulação contou ainda com o apoio de setores da imprensa, criando uma narrativa que favoreceu a guerra. Ele afirmou que houve uma campanha de desinformação que enfraqueceu a política “America First”, base da atuação do atual governo.
No documento, Kent comparou o momento atual com o contexto que levou os Estados Unidos à Guerra do Iraque, classificando como enganosa a promessa de uma vitória rápida. Para ele, o mesmo tipo de argumento foi utilizado no passado para justificar intervenções militares com consequências negativas.
O ex-diretor também cobrou coerência do presidente ao lembrar que a própria Casa Branca já reconheceu, anteriormente, que conflitos no Oriente Médio drenam recursos e custam vidas sem trazer benefícios claros ao país.
Ao encerrar a carta, Kent afirmou que não pode apoiar o envio de soldados para um confronto que, segundo ele, não atende aos interesses da população americana nem justifica o custo humano envolvido.
Fonte: jovempan.com.br







