O presidente PP Ciro Nogueira (PP-PI) e do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, ambos são supeitos de articularem no Congresso a criação de uma lei para aumentar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para beneficiar o Banco Master
Investigações da Polícia Federal (PF), originadas a partir da quebra de sigilo telemático do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelaram uma extensa rede de contatos entre o empresário e figuras do alto escalão da política brasileira. Os dados foram enviados à CPMI do INSS, que apura supostas fraudes em contratos de crédito consignado.
As mensagens, extraídas do WhatsApp do empresário, citam nomes como os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Também figuram nos registros o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador de São Paulo, João Doria.
Amizades e Agendas Institucionais
Diferente de acusações diretas de ilicitudes nas conversas, o material revela a proximidade de Vorcaro com o poder. Em diálogos com sua namorada, Martha Graeff, o banqueiro descreve o senador Ciro Nogueira como um “grande amigo de vida”. Já em relação a Hugo Motta e Davi Alcolumbre, as mensagens registram encontros ou tentativas de agendas, muitas vezes em contextos sociais ou de articulação em Brasília, entre 2024 e 2025.
A CPMI investiga se a influência do banqueiro junto a autoridades teria facilitado operações financeiras sob suspeita. O prejuízo estimado em fraudes ligadas ao INSS, alvo da comissão, pode chegar a R$ 17 bilhões.
Conexões Religiosas e Financiamento de Campanha
Um desdobramento central da investigação foca em Fabiano Zettel, cunhado e braço direito de Vorcaro. Zettel, que é pastor da Igreja Batista da Lagoinha, foi identificado como um dos maiores doadores individuais das campanhas de 2022.
- Doações: Zettel destinou valores expressivos às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
- Logística: relatórios apontam que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o próprio Zettel utilizaram uma aeronave ligada a Vorcaro durante a caravana “Juventude pelo Brasil” no segundo turno das eleições presidenciais.
- Ação Policial: Fabiano Zettel foi preso preventivamente em janeiro de 2026, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.
O Outro Lado
As defesas dos políticos citados têm reiterado que contatos com empresários fazem parte da atividade parlamentar e negam qualquer irregularidade.
Fonte: Estadão







