Parlamentares articulam com Davi Alcolumbre para empurrar ou impedir votação, visando atender o lobby dos grandes empresários que são contra o fim da jornada 6×1; e com isso desgastar o Governo Lula.
Nos bastidores do Congresso Nacional, o fim da escala de trabalho 6×1 deixou de ser apenas uma pauta social para se tornar uma peça estratégica de sobrevivência política e cálculo eleitoral.
Parlamentares da ala bolsonarista e do bloco do Centrão no Senado Federal iniciaram uma ofensiva silenciosa, mas coordenada, para retardar ao máximo a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho no Brasil.
O movimento tem um alvo duplo: blindar a relação com o empresariado, principal financiador de mandatos desses grupos e evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva capitalize politicamente uma eventual aprovação da medida antes das eleições.
O plano dos bolsonarista e do Centrão – a estratégia desenhada pelos senadores não é a de um embate direto, que poderia gerar desgaste com a base trabalhadora, mas sim a de um “estrangulamento” do calendário. O plano principal envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como interlocutor central.
“A ideia é fazer com que o debate só ganhe corpo em 2027, a depender do cenário político que sair das urnas”,
Para os senadores do Centrão e da oposição, votar abertamente contra o fim da escala 6×1 é um risco que poucos estão dispostos a correr. A pauta goza de grande apelo popular e o “não” poderia ser fatal nas urnas.
Contudo, a pressão do setor produtivo é igualmente forte. Sem querer desagradar seus financiadores nem perder votos, a saída encontrada foi a obstrução burocrática.
Ao segurar o projeto, parlamentares bolsonaristas e do Centrão esperam que o ônus da não entrega da promessa caia sobre o Palácio do Planalto. A sinalização dada por Alcolumbre aos bolsonaristas é de que, se a PEC não avançar, Lula chegará ao período eleitoral com o estigma de quem “prometeu e não cumpriu” o fim da jornada 6×1.
Parlamentares bolsonaristas e do Centrão consultados avaliam que é difícil votar contra o mérito da PEC se ela chegar ao plenário, mas garantem que irão “dificultar ao máximo” cada etapa nas comissões, criando embaros burocráticos e desajustes para que a PE do fim da jornada 6×1 torne confua e seja impedida de aprovação.
Fonte: CNN Brasil







