Em meio à pressão de Washington, ex-deputado propõe uso de sistema privado americano como argumento
Em meio à escalada de tensão comercial entre Brasília e Washington, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu que o Brasil utilize o Zelle, sistema de pagamentos que chamou de “o Pix americano”, como moeda de troca em uma eventual mesa de negociação com o governo de Donald Trump.
A declaração foi dada ao canal TMC News e ocorre no momento em que o governo dos Estados Unidos ameaça sobretaxar produtos brasileiros em 25%. O Pix, principal sistema de pagamentos do Brasil, tornou-se um dos alvos centrais da investigação comercial americana, iniciada em julho do ano passado.
“Os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle. Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, afirmou Eduardo, que reside nos EUA há mais de um ano articulando apoio ao campo bolsonarista.
As acusações de Trump – o documento da investigação comercial da Casa Branca acusa o Brasil de prejudicar injustamente as empresas americanas que competem no setor de serviços de pagamentos eletrônicos. Os principais pontos de crítica do governo Trump são:
- Conflito de interesses: o governo americano alega que o Banco Central do Brasil exerce um duplo papel, o de regulador e o de proprietário/operador do Pix, sem as salvaguardas processuais adequadas.
- Obrigatoriedade: Washington critica a exigência de que instituições financeiras com mais de 500 mil contas ativas operem o Pix.
- Destaque no App: a regulação brasileira que exige a exibição do Pix na tela principal dos aplicativos bancários também é apontada como uma barreira de mercado.
Embora Eduardo Bolsonaro tenha comparado as duas ferramentas, o Pix e o Zelle possuem estruturas e alcances substancialmente diferentes. Veja os contrastes abaixo:
Comparativo dos Sistemas de Pagamento
| Característica | Pix (Brasil) | Zelle (EUA) |
| Natureza | Público (Criado e operado pelo Banco Central) | Privado (Operado pela Early Warning Services) |
| Propriedade | Estatal | Consórcio de 7 grandes bancos americanos* |
| Obrigatoriedade | Obrigatório para bancos com mais de 500 mil contas | Opcional (Depende da adesão de cada banco) |
| Velocidade | Instantâneo (Em segundos, 24/7) | Rápido (Em poucos minutos) |
| Volume de Usuários | 170 milhões de pessoas (80% da população) | 151 milhões de usuários (Dados de 2024) |
| Volume Financeiro | R$ 35,4 trilhões movimentados em 2025 | US$ 1 trilhão (~R$ 5 trilhões) em 2024 |
| Chaves de Acesso | E-mail, telefone, CPF e chave aleatória | E-mail e número de telefone |
| Tarifas (Pessoa Física) | Sempre gratuito | Geralmente gratuito (Mas bancos podem taxar) |
*Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo.
Diferenças operacionais – enquanto o Pix se consolidou como uma ferramenta universal e instantânea que funciona a qualquer hora do dia ou da semana, o Zelle opera dentro das regras de um ecossistema bancário privado. Nele, os limites de envio e recebimento de dinheiro são definidos estritamente por cada banco ou cooperativa de crédito participante.
No Brasil, embora as instituições também definam os limites do Pix, eles devem ser balizados estritamente pelo perfil de risco e comportamento do usuário, sob as diretrizes regulatórias do Banco Central.
Fonte: BBC e InfoMoney







