Enquanto a “Marcha para Jesus” corre o sério risco de ser apenas um evento estático camuflado de movimento, a “Marcha com Jesus” não precisa de microfones potentes ou de camisas personalizadas.
Se você já passou em alguma cidade em dia de “Marcha para Jesus”, certamente se deparou com um mar de camisas temáticas, trios elétricos barulhentos e uma multidão que impressiona pelo número. À primeira vista, parece a expressão máxima de fé.
Mas, se pararmos para analisar de perto, essa demonstração de força esconde uma armadilha sutil. A diferença entre o que se vê ali e o que o cristianismo propõe na essência está escondida em uma única palavra: a preposição. Existe uma distância gigantesca entre marchar PARA Jesus e marchar COM Jesus.
Embora pareçam sinônimos, essas duas expressões revelam posturas completamente opostas diante de Deus.
A “Marcha PARA Jesus” funciona como uma estrada de mão única com destino a um destinatário distante. O evento, muitas vezes, se transforma em um espetáculo de adoração verticalizado. É a igreja tentando “chamar a atenção” de Deus ou, pior, demonstrar força institucional e política para um Cristo triunfalista que assiste a tudo do topo de um camarote espiritual.
A virada de chave: Quando mudamos para a “Marcha COM Jesus”, a teologia ganha pés. Jesus deixa de ser o espectador no topo do palanque e passa a ser o líder que caminha lado a lado com a comunidade. É a fé baseada na encarnação o “Deus conosco”. Ele não está esperando o cortejo passar; Ele já está nas ruas, misturado ao povo, dividindo o peso da caminhada.
Não é raro notar um tom de “guerra espiritual” ou demarcação de território nas grandes marchas. O objetivo implícito parece ser a conquista da cidade pelo poder numérico. É a busca por hegemonia cultural: “Olhem quantos somos, olhem como somos fortes“. É a missão vista como um troféu de visibilidade.
Por outro lado, marchar COM Jesus exige uma postura de serviço e itinerância. Caminhar com Ele significa, obrigatoriamente, ir aonde Ele ia:
- Ao encontro dos marginalizados;
- Nos hospitais e periferias;
- Junto aos injustiçados pela sociedade.
A missão deixa de ser um desfile de autoafirmação e passa a ser um discipulado público, onde a igreja atua como sal e luz no dia a dia, construindo relações reais, e não apenas estatísticas de público.
O maior perigo de se apegar ao evento (o “PARA”) é resvalar no orgulho religioso. Ao focar na grandiosidade do show, a ética é reduzida a cantar a mesma música que a massa. Cria-se uma bolha de celebração triunfalista que ignora as dores reais que estão acontecendo bem ali, na calçada ao lado de onde o trio elétrico está passando.
A caminhada COM Cristo, no entanto, é guiada pela ética da cruz: humildade, justiça e amor prático. Ela nos obriga a olhar para os lados. Não dá para caminhar com Jesus de olhos fechados para a miséria. O foco muda da autoexaltação da igreja para a transformação da comunidade através do serviço sacrificial.
Marcha PARA Jesus: evento anual e estático, foco no espetáculo e tentativa de demonstração de poder político/cultural
Marcha COM Jesus: estilo de vida contínuo, a comunidade transforma a realidade, manifestação de amor e justiça,
Enquanto a “Marcha para Jesus” corre o sério risco de ser apenas um evento estático camuflado de movimento, a “Marcha com Jesus” não precisa de microfones potentes ou de camisas personalizadas. Ela é um estilo de vida contínuo que transforma a caminhada pública em um ato de amor, justiça e verdadeira espiritualidade. Jesus disse: “Siga-me”.
Por Marco Antônio Mourão – Fonte: redes sociais cristãs







