R$ 3 bilhões dos R$ 4 bilhões aplicados pelo Digimais em fundos de investimentos ficaram impossibilitados serem auditados , uma vez que o banco se recusou a disponibilizar a documentação necessária para comprovar o lastro desses ativos.
As quantias alocadas em fundos com valores artificialmente elevados no Banco Digimais, instituição financeira que pertence a Edir Macedo, bispo e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, podem atingir patamares significativamente maiores do que o montante inicialmente sob apuração da Polícia Federal na Operação Miragem.
Atualmente, as investigações da Polícia Federal se concentram em uma transação supostamente fraudulentaenvolvendo um fundo de investimentos que teria inflado os balanços da instituição em R$ 670 milhões.
O mecanismo utilizado consistiu na aquisição, por parte de fundos de investimentos do próprio banco, de direitos creditórios pelo valor de R$ 71 milhões. Segundo apontamentos da Polícia Federal, os fundos elevaram o valor nominal desse ativo de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões.
Na sequência, o banco revendeu os referidos direitos pelo valor inflacionado para a sua própria holding controladora, de propriedade do líder da Igreja Universal, estabelecendo o prazo de pagamento apenas para o ano de 2032.
Além desse caso, existem outros quatro fundos que declaram aplicar, conjuntamente, R$ 1,7 bilhão em ativos considerados duvidosos, sendo que parte dessas carteiras acumula prejuízos expressivos.
No fundo batizado de Tabor, declarou-se a existência de R$ 960 milhões em carteiras de crédito. Todavia, apurações indicam que mais da metade desse total é composta por financiamentos com atrasos superiores a 180 dias, situação que exigiria a classificação obrigatória como provisão de perdas ou prejuízos. Apesar disso, o Digimais registrou nos balanços apenas o investimento de R$ 980 milhões.
Auditores da instituição financeira informaram que ficaram impossibilitados de auditar R$ 3 bilhões dos R$ 4 bilhões aplicados pelo Digimais em fundos de investimentos, uma vez que o banco se recusou a disponibilizar a documentação necessária para comprovar o lastro desses ativos.
Fonte: O Estadão







