A trágica morte de Caio Vinicius de Oliveira comoveu a região e gerou diversos questionamentos sobre a assistência médica recebida pelo adolescente.
Conhecido por seu coração bondoso, dedicação e paixão pelos esportes, Caio Vinicius de Oliveira de 15 anos faleceu na última quinta-feira, 25 de junho, na cidade de São Carlos, apenas um dia após receber alta de uma Unidade de Pronto Atendimento sem passar por exames diagnósticos.
O exame do Serviço de Verificação de Óbitos indicou que a causa da morte foi um choque circulatório provocado por uma torção da alça intestinal. Devido à repercussão do caso e à apresentação do laudo, a prefeitura municipal anunciou na sexta-feira, 26 de junho, que abrirá uma sindicância interna para investigar o ocorrido.
De acordo com informações fornecidas pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia, a torção da alça intestinal é uma enfermidade severa na qual o órgão sofre uma torção em seu próprio eixo. Essa condição gera a interrupção do fluxo sanguíneo na região afetada e impede a passagem normal dos alimentos.
A vida do jovem Caio – muito além das circunstâncias dolorosas de sua partida, Caio é lembrado por aqueles que conviviam com ele como um exemplo de conduta e afeto. Ana Claudia Aparecida de Lima, tia do jovem, relatou que o sobrinho tinha um comportamento exemplar, frequentava a escola em tempo integral e não costumava se envolver com confusões ou passar o tempo nas ruas.
Segundo ela, o adolescente expressava com frequência o desejo de evoluir por meio da educação, planejando ingressar na Etec, fazer cursos profissionalizantes e começar a trabalhar para conquistar seus próprios objetivos.
A dedicação escolar e o temperamento calmo também foram destacados pela madrinha do rapaz, Tamires Roganti Oliveira, que ressaltou o empenho dele nos estudos e a ausência de problemas no ambiente escolar.
Nas horas livres, os passatempos favoritos de Caio eram jogar basquete e se divertir com videogame. Emocionada, a madrinha lamentou a despedida precoce de um jovem que cativou a família com sua educação, generosidade e carisma, mencionando ainda que ele pretendia seguir carreira na área de Tecnologia da Informação.
O atendimento médico – a mãe do adolescente, Beatris Regina de Lima, questiona veementemente a abordagem adotada na UPA da Vila Prado. Ela relatou que o filho não passou por avaliações minuciosas e que a profissional responsável não realizou exames físicos adequados, limitando-se a observar o jovem e prescrever medicações.
Diante de fortes dores abdominais e episódios constantes de vômito, Caio chegou a receber uma nova dose de remédios na veia após a mãe insistir que o quadro não melhorava. Na ocasião, o mal-estar foi associado a uma possível virose pelas profissionais que faziam o plantão.
Após uma aparente redução na intensidade das dores, o jovem recebeu autorização para voltar para casa. Contudo, ao longo do dia, ele permaneceu muito debilitado e com extrema fraqueza.
Durante a madrugada de quinta-feira, a situação se agravou de forma drástica, quando Caio acordou reclamando de tontura e dores na região do peito, vindo a desmaiar no sofá logo em seguida.
A família também aponta problemas no primeiro socorro prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. A mãe relatou que a primeira viatura chegou rápido ao endereço, mas houve uma demora prejudicial para o início dos procedimentos, pois a enfermeira teria permanecido dentro do veículo por alguns minutos, entrando na residência apenas quando o adolescente já estava desmaiado.
As manobras de reanimação começaram em seguida, e uma segunda ambulância com suporte de UTI móvel chegou ao local pouco depois. O episódio foi registrado pelas autoridades policiais como morte natural, embora os familiares sigam contestando a conduta dos serviços de saúde.
Posicionamento da Prefeitura de São Carlos – em nota divulgada inicialmente, a Prefeitura de São Carlos detalhou o fluxo do atendimento na UPA, informando que o jovem deu entrada às 5h33 da quarta-feira apresentando vômitos e dores na parte superior do abdômen. Segundo o boletim clínico, ele não tinha febre ou outros sintomas considerados de risco imediato.
Foram administrados os medicamentos buscopan, cimetidina, dipirona, decadron e dramin. O paciente permaneceu sob observação até as 7h18, quando uma nova avaliação constatou melhora, motivando a liberação médica.
Atuação do Samu – o município informou que a 1ª chamada ocorreu às 3h20 da madrugada de quinta-feira. A Unidade de Suporte Básico foi acionada às 3h25 e chegou à casa às 3h31. Posteriormente, a Unidade de Suporte Avançado foi chamada às 3h39, chegando ao local às 3h48. A primeira equipe deixou o endereço às 4h24, mas a administração não detalhou quais procedimentos específicos foram adotados pelas equipes de socorro.
Na sexta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde emitiu uma nota oficial manifestando pesar pelo falecimento de Caio e solidariedade aos familiares. O comunicado informou a abertura de um procedimento administrativo para avaliar detalhadamente o prontuário, a documentação e os protocolos aplicados no caso.
A prefeitura ponderou que a torção intestinal é uma patologia rara com sintomas iniciais inespecíficos, mas garantiu transparência na apuração e afirmou que adotará as medidas administrativas cabíveis caso sejam constatadas falhas profissionais.
Fonte: G1 São Carlos







