Governo do estado de SP através da Artesp permite que o as estradas paulista tenha as tarifas mais caras do mundo, frente ao poder de compra dos usuários, com menor retorno proporcional pelos valores pagos
O bolso do motorista paulista sofre mais um duro golpe a partir desta quarta-feira, 1º de julho. Sob o aval da Agência Reguladora de Transportes de São Paulo (Artesp), entra em vigor o novo reajuste anual das tarifas de pedágio em diversas rodovias concedidas do estado, incluindo os trechos administrados pela CART Concessionária de Rodovias.
A atualização, publicada no Diário Oficial do Estado no último dia 24 de junho, traz aumentos que variam de R$ 0,25 a R$ 2,00. Para veículos comerciais e de grande porte, o peso é ainda maior, dado que o cálculo é multiplicado por eixo.
Por trás da frieza dos números e da justificativa técnica de “recomposição inflacionária”, esconde-se uma realidade alarmante: o paulista paga uma das contas de deslocamento mais desproporcionais do planeta.
Embora as concessionárias e o governo frequentemente defendam que o estado possui as “melhores rodovias do país”, o argumento desmorona quando a tarifa é colocada lado a lado com o poder de compra do cidadão. Rodar pelo estado de São Paulo transformou-se em um gasto muitas vezes inacessível para parte da população paulista.
O trabalhador paulista gasta cada vez mais uma fatia expressiva de seus ganhos apenas para cruzar fronteiras municipais. O sistema cobra preços de primeiro mundo para uma população que recebe em ganhos 5 vezes menos, empurrando o custo do frete para as alturas e encarecendo diretamente os alimentos e o comércio que abastecem o estado.
O grande volume de praças de pedágio espalhadas pela malha privatizada cria barreiras financeiras a cada poucos quilômetros rodados. Não é raro que uma viagem curta pelo interior ou em direção ao litoral exija grandes somas de dinheiro em pagamento de pedágios, elevando o custo por quilômetro a níveis abusivos.
Além disso, o argumento de que o preço se justifica pela qualidade das pistas já não convence a totalidade dos usuários. Motoristas frequentemente relatam gargalos crônicos, falta de faixas adicionais em trechos de fluxo saturado e manutenções que parecem intermináveis, gerando tráfego e riscos à segurança. A conta é imediata, mas a contrapartida em fluidez e eficiência muitas vezes se perde nos congestionamentos diários.
O reajuste oficializado pela Artesp reflete um modelo de concessão engessado, que prioriza o equilíbrio econômico-financeiro das empresas em detrimento da capacidade de pagamento da população. Enquanto as cancelas sobem e os lucros das concessionárias se mantêm protegidos pela burocracia estatal, o cidadão assiste ao seu direito de ir e vir ser, pouco a pouco, tabelado e encarecido.
Fonte: G1 Globo e imagem produzida com auxílio de IA







