Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta 1.571 vítimas em 2025, enquanto demais mortes violentas apresentam queda
O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da série histórica. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), foram 1.571 mulheres assassinadas por razões de gênero, alta de 4% em relação a 2024. É o quarto ano consecutivo de crescimento desse tipo de crime.
O levantamento mostra que, enquanto as Mortes Violentas Intencionais caíram 8,2% no país, os feminicídios seguiram em alta, reforçando que a violência contra as mulheres possui dinâmica diferente dos demais crimes letais.
Além dos casos consumados, o Brasil registrou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, aumento de 5,9% em comparação ao ano anterior. Também cresceram os registros de perseguição (stalking), com alta de 30%, e de violência psicológica, que avançou quase 17%.
As maiores taxas de feminicídio foram registradas no Amapá, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O perfil das vítimas revela que 65,1% eram mulheres negras, 56,5% tinham entre 25 e 44 anos e 62,5% foram mortas dentro da própria residência.
Quando a autoria foi identificada, 96,4% dos crimes foram cometidos por homens. Em mais de 60% dos casos, o agressor era o parceiro da vítima, seguido por ex-companheiros e familiares.
O anuário também aponta falhas na proteção às vítimas. Entre os estados que forneceram dados, 70 mulheres foram assassinadas mesmo possuindo medida protetiva ativa. No período, o país registrou 132.025 casos de descumprimento dessas medidas, um aumento de 16,7%.
Para os pesquisadores, os números reforçam a necessidade de ampliar ações de prevenção, fortalecer a rede de proteção e identificar situações de risco antes que a violência resulte em morte.
Fonte: cnnbrasil.com







