Estados governados por aliados do presidente argentino, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, sentem o peso do desaquecimento do principal mercado comprador de veículos do Brasil
Queda no poder aquisitivo da população na Argentina, combinada com as recentes medidas econômicas e fiscais adotadas pelo governo do presidente Javier Milei, acendeu o sinal de alerta no parque industrial automotivo brasileiro.
A Argentina é historicamente o maior destino das exportações de veículos do Brasil, mas a queda vertiginosa da demanda no país vizinho tem impactado diretamente as linhas de montagem situadas nos estados do Sudeste, em especial São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A situação carrega uma forte ironia política: os governadores desses três estados demonstraram apoio explícito e grande alinhamento ideológico com o projeto de Milei durante e após sua eleição. No entanto, são justamente as economias locais e os trabalhadores dessas regiões que enfrentam as piores consequências da desaceleração econômica transfronteiriça.
A indústria automobilística brasileira tem seu maior polo de produção concentrado no eixo Sudeste:
- São Paulo: abriga complexos da Volkswagen, General Motors, Toyota, Hyundai e Honda em cidades como São Bernardo do Campo, São José dos Campos, Sorocaba e Piracicaba.
- Minas Gerais: sedia o polo automotivo da Stellantis (Fiat) em Betim, além da fábrica da Mercedes-Benz em Juiz de Fora.
- Rio de Janeiro: conta com o polo automotivo do Sul Fluminense, em Porto Real e Resende, concentrando unidades da Nissan e do Grupo Stellantis (Peugeot/Citroën), além de montadoras de veículos pesados como a Volkswagen Caminhões e Ônibus.
Tradicionalmente, cerca de 70% a 80% dos carros de passeio e comerciais leves exportados pelo Brasil tinha como destino a Argentina.
Com o arrocho monetário, a desvalorização do peso e a queda acentuada do poder de compra no mercado argentino, a venda de modelos brasileiros para os concessionários vizinhos sofreu quedas expressivas no último período, além disso nos últimos dois anos Javier Milei abriu o mercado argentino para os carros chineses, contrariando sua propaganda anti China da campanha, ou seja, enganou os bolsonaristas.
O cenário explicita o dilema enfrentado pelas gestões estaduais boilsonaristas do Sudeste. Embora o apoio político a Milei tenha sido pautado pelo discurso do livre mercado e da afinidade ideológica, a aplicação prática da política econômica libertária na Argentina resultou em imediato encolhimento das trocas comerciais bilaterais.
Fonte: Estadão e Folha de S. Paulo







