Candidato a presidente do partido Missão propõe desvincular todos os gasto sociais e acabar com os pisos constittucionais da sáude e educação, por outro lado não disse nada sobre cortar a “bolsa empresário”.
Em uma clara ofensiva para conquistar o apoio e a simpatia do mercado financeiro paulistano, o pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, apresentou um plano de ajuste fiscal rigoroso que promete enxugar R$ 250 bilhões por ano das contas públicas. O aceno aos “Faria Limers”, contudo, tem endereço certo para a conta chegar: os serviços essenciais e a população de menor renda.
Em artigo publicado na newsletter da plataforma Esfera Brasil, o pré-candidato detalhou as diretrizes de seu “choque de redução de despesas”. Entre as medidas centrais estão a desvinculação do salário mínimo em relação à Previdência Social, ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) e ao Bolsa Família, o que abre espaço para o reajuste desses auxílios abaixo do piso nacional, além do fim dos pisos constitucionais que hoje garantem investimentos mínimos obrigatórios em saúde e educação pública.
O pacote, formatado sob medida para agradar aos analistas e investidores do centro financeiro do país, busca consolidar a imagem de Renan Santos como um nome fiscalmente rígido e alinhado à agenda de austeridade do mercado.
“Bolsa empresário” fora do radar – embora preveja uma revisão profunda nas garantias constitucionais voltadas aos mais vulneráveis, o plano de governo do pré-candidato deixa intocados os privilégios tributários e incentivos concedidos ao topo da pirâmide econômica.
A chamada “bolsa empresário”, que consome R$ 500 bilhões de reais todos os anos em renuncias tributárias sequer foi citada como alternativa para o reequilíbrio das contas do Estado. Em nenhum momento do artigo ou de suas declarações recentes o candidato do Missão mencionou a revisão das isenções fiscais concedidas a grandes corporações, as igrejas, ao sistema S, aos financistas isentos de IR.
Ao optar por poupar os privilégios tributários das elites econômicas enquanto canaliza a tesoura do corte de gastos sobre os pisos sociais e os benefícios de renda básica, Renan Santos delimita com clareza o seu público-alvo e a prioridade de sua plataforma eleitoral no debate sobre a responsabilidade fiscal do país.
Fonte: Folha de S. Paulo







