Gil Diniz tenta puxar o tapete de Ricardo Salles na Justiça por causa de fita cortada e buscas no Google.
Se o eleitor de direita em São Paulo achava que o maior inimigo a ser combatido em 2026 era o “esquerdismo perigoso”, a realidade da pré-campanha veio provar o contrário. A maior ameaça ao projeto conservador no Estado atende no momento por outro adjetivo: o próprio companheiro de bancada.
Em mais um capítulo da novela “Quem Tem o Selo de Pureza do Capitão?“, o deputado estadual Gil Diniz (PL) resolveu acionar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) para tentar derrubar a candidatura ao Senado do ex-ministro Ricardo Salles (Novo).
O crime gravíssimo comoventemente denunciado à Justiça Eleitoral? Salles teria ousado aparecer na inauguração de uma obra pública em período vedado e, pasmem, estaria se destacando em pesquisas na internet.
“Para a direita de São Paulo, o verdadeiro teste de fidelidade ideológica não é vencer a esquerda, mas garantir que o vizinho de bancada perca a vaga antes do dia da votação.”
A briga pelo Senado em São Paulo virou uma verdadeira rinoceronte de vaidades, onde a regra é clara: não importa a proposta, o que vale é mostrar quem é o “conservador de raiz” e quem é apenas “fisiológico com sotaque da Faria Lima”.
A treta expõe as entranhas de um eleitorado disputado a tapas:
- O espólio bolsonarista: todos querem a bênção presidencial, mas como a matemática da vida real só permite indicar duas vagas ao Senado, os pré-candidatos resolveram usar a tática da exclusão por tapetão.
- O voto anti-PT: o eleitor antipetista precisa escolher entre o candidato que critica o “Centrão” e o candidato do “Centrão”que aciona a Justiça contra o próprio colega de espectro.
- A paranoia do Google: argumentar que “pesquisas na internet” viraram prova contra um adversário político eleva a burocracia brasileira a patamares de piada pronta. Afinal, se popularidade digital virar motivo de cassação, metade das redes sociais da direita precisaria ser lacrada pela polícia.
Ao apelar ao TRE contra Salles por causa de palanque e algoritmos de busca, o deputado do PL Gil Diniz adota a consagrada técnica do “se eu não posso ser o preferido, ninguém vai ser“. O episódio escancara que, na arena conservadora paulista, a meta principal deixou de ser a conquista do Congresso e passou a ser o aniquilamento do concorrente que usa a mesma cor de gravata.
Até o dia da eleição, resta ao eleitor de direita guardar a bandeira do Brasil e comprar um colete à prova de balas, porque o fogo amigo promete ser intenso.
Fonte: Estadão







