Medida passa a valer na temporada 2026/2027 e estabelece critérios baseados no sexo biológico para participação em competições femininas; Osasco manifesta apoio à atleta
A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou ontem, sexta-feira (14/08), uma nova política de elegibilidade para atletas que participam das competições femininas da modalidade. A norma estabelece que os torneios da categoria sejam disputados exclusivamente por atletas que atendam aos critérios relacionados ao sexo biológico feminino.
Segundo a entidade, a política segue parâmetros adotados por organismos internacionais do esporte, como o Comitê Olímpico Internacional (COI), a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e a Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).
A CBV informou que a avaliação da elegibilidade será realizada por meio de testagem e triagem do gene SRY. O procedimento poderá ter exceções em situações consideradas excepcionais e previstas na própria política da confederação.
De acordo com João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol, a coleta do material necessário para a análise é realizada de maneira pouco invasiva e apresenta alto grau de precisão. Para Radamés Lattari, presidente da CBV, a mudança aproxima os campeonatos nacionais dos critérios utilizados em competições internacionais.
A mudança tem impacto direto sobre a situação da oposta Tifanny Abreu, que atua pelo Osasco e foi, na última temporada, a única atleta transexual a disputar a Superliga Feminina. A atleta iniciou sua participação no voleibol feminino em 2017, depois de receber autorização da FIVB.
Aos 41 anos, a jogadora acumula passagens pelo voleibol italiano e por equipes brasileiras. No país, defendeu o Sesi Bauru antes de se transferir para o Osasco, clube que representa desde 2021. Ao longo da carreira, conquistou um título da Superliga e quatro Campeonatos Paulistas. Também foi vice-campeã sul-americana e terminou o Mundial de Clubes na terceira colocação.
Com a nova política prevista para entrar em vigor na temporada 2026/2027, Tifanny poderá ficar impedida de disputar as competições femininas organizadas pela CBV, caso não se enquadre nos critérios estabelecidos pela entidade.
O Osasco se posicionou contra a mudança e afirmou que o clube não participou previamente das discussões que resultaram na nova política. Em comunicado divulgado nas redes sociais, a equipe paulista declarou apoio à atleta e ressaltou seu compromisso com o respeito e a valorização das pessoas que integram a história do clube.
A nova regulamentação também terá aplicação na Supercopa 2026, na Copa Brasil 2027, no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e no CBVP Challenger 2027. A decisão abre uma nova discussão sobre os critérios de participação nas competições femininas de voleibol no Brasil e poderá alterar a trajetória de Tifanny Abreu no esporte nacional.
Fonte: Estadão







