Relatos de moradores apontam violência, ação militar controversa e até certo ponto ajudando os colonos a praticarem esses atos terroristas contra o povo palestino da Cisjordânia
Um novo episódio de violência mobilizou a região da aldeia de Qusra, na Cisjordânia ocupada, ontem – sábado (29/08). Dezenas de colonos israelenses mascarados cercaram uma residência palestina em construção e praticaram atentados terroristas contra as pessoas que estavam no local. O incidente ocorre semanas após um cerco similar na mesma área ter gerado repercussão e indignação internacional.
Sete pessoas ficaram presas no interior do imóvel durante a ação. Segundo testemunhas e atingidos ouvidos por agências internacionais de notícias, os moradores registraram ferimentos causados pelas pedras e pela inalação de gás lacrimogêneo. Relatos de testemunhas afirmam que as forças militares israelenses que compareceram ao local lançaram gás lacrimogêneo contra a estrutura e teriam detido temporariamente os ocupantes palestinos, sem efetuar prisões entre os colonos atacantes.
Em nota, as Forças Armadas de Israel declararam que tropas e a polícia de fronteira atuaram para dispersar manifestantes violentos e garantir a segurança dos ocupantes da residência. Questionadas sobre as acusações de agressão e uso de gás lacrimogêneo contra os palestinos, as autoridades militares não emitiram resposta imediata aos questionamentos da imprensa.
A escalada da tensão na Cisjordânia é acompanhada de perto por órgãos internacionais:
- Posição da ONU e Direitos Humanos: relatórios recentes de comissões da ONU e entidades civis apontam aumento das incursões de colonos e questionam a atuação das autoridades locais no combate à expansão dos assentamentos, classificados como ilegais pelo direito internacional para territórios ocupados.
- Posição Oficial de Israel: o governo israelense contesta a classificação do relatório da ONU, rejeita a tese de ocupação ilegal e considera a Cisjordânia um território em disputa, defendendo que os episódios de violência partem de uma minoria marginalizada.
Fonte: Valor Econômico – REUTERS







