Tubulações estão enterradas sob as ruas da cidade, chegam a 5 metros de profundidade e formam uma estrutura que percorre todo o município
Existe uma parte de Porto Ferreira que pouca gente conhece: ela está debaixo das ruas. São 291,7 quilômetros de redes de esgoto e outros 338 quilômetros de redes de abastecimento de água que formam uma extensa infraestrutura subterrânea. A BRK, responsável pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no município, opera e mantém essa estrutura para garantir a distribuição de água e a coleta e o encaminhamento do esgoto até o devido tratamento.
Se toda a rede de esgoto fosse retirada do subterrâneo e colocada em uma única linha reta, ela teria extensão suficiente para ligar Porto Ferreira a Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, em uma distância de aproximadamente 290 quilômetros. Já a rede de água, com seus 338 quilômetros, chegaria à região de Pouso Alegre (MG).
Os números ajudam a dimensionar uma estrutura que, justamente por estar escondida, costuma passar despercebida no dia a dia. E não são apenas quilômetros de tubulação: a rede de esgoto de Porto Ferreira conta atualmente com 2.477 poços de visita, estruturas que permitem o acesso à rede para inspeções e atividades de manutenção. Na rede de água, são 543 válvulas e registros, utilizados para controlar e direcionar o fluxo de água.
Tubulações de diferentes tamanhos – assim como uma cidade possui ruas de diferentes dimensões e funções, as redes também são formadas por tubulações de diferentes diâmetros.
Na rede de esgoto de Porto Ferreira, os tubos variam de 100 a 600 milímetros de diâmetro. A maior estrutura, a de 600 milímetros, é responsável por conduzir o efluente do Estação Elevatório Vila Sibila seguindo pelo emissário Jardim Anésia até a Estação de Tratamento de Esgoto Fazendinha.
Na rede de água, os diâmetros vão de 50 a 400 milímetros, sendo a maior tubulação uma adutora, utilizada para o transporte de água da captação João Salgueiro Filho para Estação de Tratamento de Água Oswaldo da Cunha Leme (ETA OCL).
A profundidade também varia conforme as características de cada trecho. As redes de água ficam, em média, entre 50 centímetros e 1 metro abaixo do solo, mas podem chegar a 2,5 metros. Nas redes de esgoto, a profundidade média é de aproximadamente 80 centímetros, podendo alcançar 5 metros em alguns pontos.
Uma estrutura que passa por baixo da rodovia Anhanguera – parte das redes de saneamento também precisa superar obstáculos que fazem parte da paisagem da cidade, mas que não são percebidos por quem passa por eles.
Em Porto Ferreira, o emissário de esgoto passa sob a Rodovia Anhanguera por meio de sifões, permitindo a travessia da rodovia pela estrutura subterrânea.
São soluções como essa que ajudam a explicar por que o saneamento não termina na ligação de um imóvel à rede. Existe uma infraestrutura extensa, instalada em diferentes profundidades e condições, que precisa ser continuamente operada e mantida para que água e esgoto sigam seus caminhos.
Série “O saneamento que você não vê”
Conhecer essa estrutura também ajuda a entender por que atitudes que parecem pequenas podem fazer diferença para o funcionamento do saneamento.
É esse universo que normalmente não aparece aos olhos da população, mas que está presente diariamente sob as ruas da cidade, que a série “O saneamento que você não vê” vai apresentar.
Por Juliana Duarte – Comunicação e Sustentabilidade – Regional SP







