Projeto desenvolvido por estudantes do 7º ano transformou conteúdos sobre a colonização da América em jogos de tabuleiro, unindo tecnologia, criatividade e aprendizado
Estudantes do 7º ano da EMEF Coronel Esmédio, em Porto Feliz (SP), encontraram uma forma diferente de estudar história. Com orientação do professor Carlos Cavalheiro, os alunos utilizaram a inteligência artificial como ferramenta de apoio para transformar conteúdos sobre a colonização inglesa e portuguesa na América em jogos de tabuleiro.
Durante o projeto, os grupos ficaram responsáveis pela criação dos tabuleiros, cartas, perguntas, desafios e regras. Alguns trabalhos tiveram como referência jogos já conhecidos, enquanto outros apresentaram propostas originais desenvolvidas pelos próprios estudantes.
Entre os projetos apresentados estão os jogos “Colonização do Brasil, História, Estratégia e Conquistas”, baseado em um mapa do território colonial, e “Araritaguaba”, que reúne elementos cartográficos relacionados à colonização portuguesa.
A atividade foi apresentada no dia 17 de setembro e também abordou temas como a resistência e a escravização indígena. Para o professor, a proposta permitiu trabalhar diferentes habilidades ao mesmo tempo, incluindo pesquisa, interpretação, criatividade, planejamento, comunicação, cooperação e cultura digital.
Carlos Cavalheiro explicou que a inteligência artificial não foi utilizada para entregar conteúdos prontos aos estudantes. A ferramenta serviu para ajudar a transformar em materiais concretos as ideias desenvolvidas pelos próprios alunos durante as aulas.
Segundo o professor, a experiência também representa uma maneira de aproximar a educação das novas tecnologias. Para ele, é importante orientar os estudantes sobre o uso responsável da IA, mantendo o protagonismo humano durante o processo de aprendizagem.
A neuropsicóloga Andrielle de Carvalho Viana, de Sorocaba (SP), afirma que atividades desse tipo podem contribuir para o desenvolvimento cognitivo de jovens entre 11 e 13 anos. Nessa fase, habilidades como planejamento, memória de trabalho, tomada de decisões, controle de impulsos e flexibilidade cognitiva ainda estão em desenvolvimento.
Jogos de estratégia também podem estimular a atenção e a capacidade de avaliar diferentes possibilidades antes de tomar uma decisão. A interação com mapas, peças, cartas e outros elementos ainda permite que o conteúdo seja trabalhado de diferentes formas, favorecendo a associação entre informações.
A especialista ressalta, porém, que o jogo precisa estar acompanhado da orientação do professor. A reflexão sobre o que foi aprendido durante a atividade é fundamental para transformar a experiência em conhecimento. Nesse contexto, a inteligência artificial funciona como um recurso de apoio, enquanto a proposta pedagógica e a mediação do educador continuam sendo essenciais.
Fonte: g1.globo.com







