Luciano Lopes Pastor presidiu a Associação Mahatma Gandhi, investigada por suspeitas de irregularidades em contratos públicos, incluindo acordos para administrar serviços de saúde em Bebedouro
O médico Luciano Lopes Pastor, de 52 anos, morreu no domingo (18), após ser baleado durante uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar em Catanduva, no interior paulista. Cirurgião vascular e ex-presidente da Associação Mahatma Gandhi, ele já havia sido investigado em apurações sobre possíveis irregularidades na gestão de recursos públicos destinados à saúde.
Segundo informações da Polícia Militar, a equipe foi acionada pela esposa do médico, que relatou ter recebido ameaças de morte. Conforme o registro da ocorrência, Luciano estaria armado e apresentava comportamento agressivo. Os policiais foram até o local e tentaram convencê-lo a se render, mas, de acordo com a versão da corporação, ele apontou uma arma e atirou contra os agentes. Os policiais reagiram, e o médico morreu no local.
Durante as buscas realizadas na residência, foram encontradas armas de fogo e munições. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da ocorrência para esclarecer a dinâmica do confronto.
A morte de Luciano trouxe novamente à tona investigações das quais ele havia sido alvo. Em agosto de 2025, o médico foi preso temporariamente durante a Operação Duas Caras, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo. A apuração buscava esclarecer suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em contratos relacionados à saúde pública. Segundo os investigadores, as movimentações financeiras consideradas suspeitas ultrapassavam R$ 1,6 bilhão. Entre as possíveis irregularidades estavam a utilização de empresas de fachada, documentos fiscais falsos e contratos com valores supostamente superfaturados.
A relação do caso com Bebedouro envolve a Associação Mahatma Gandhi, entidade que firmou acordos para administrar serviços públicos de saúde no município. Em agosto de 2025, a Polícia Federal realizou a Operação Descalabro, voltada à investigação de possíveis irregularidades nesses contratos. Na ocasião, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Bebedouro e Catanduva.
Um dos acordos investigados tinha valor de R$ 13,2 milhões. O montante corresponde ao valor contratual e não significa que essa quantia tenha sido desviada. Entre os nomes citados na investigação estava o do ex-prefeito de Bebedouro, Fernando Galvão Moura. Na época, a defesa dele negou envolvimento nas irregularidades investigadas.
A atuação da entidade no município também foi analisada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Em maio de 2025, o órgão julgou irregular o contrato de gestão celebrado em 2017 entre a Prefeitura de Bebedouro e o Hospital Mahatma Gandhi, além dos respectivos aditivos. O acordo abrangia a administração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e serviços médicos do Hospital Municipal Júlia Pinto Caldeira. Nos documentos relacionados à contratação, Luciano Lopes Pastor consta como diretor-presidente da instituição.
As apurações sobre os contratos públicos buscam esclarecer possíveis irregularidades na aplicação de recursos da saúde. Já as circunstâncias da morte do médico seguem sob investigação da Polícia Civil.
Fonte: TV Repórter







