Cilene Chabuh Bordezan foi denunciada pelo Ministério Público em caso que apura suspeitas de irregularidades em contrato de R$ 5,2 bilhões; episódio envolvendo supostos gestos obscenos também precisa ser esclarecido.
A concessão dos serviços de coleta e gestão de resíduos sólidos em Bauru, estimada em R$ 5,2 bilhões ao longo de 30 anos, tornou-se alvo de uma investigação do Ministério Público que apura possíveis irregularidades no processo. O caso, conhecido como Operação Cavalo de Troia, também levantou questionamentos sobre a atuação de integrantes da administração municipal da prefeita Suéllen Rosim.
Entre os nomes citados está Cilene Chabuh Bordezan, ex-secretária municipal de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, denunciada no âmbito da investigação. As suspeitas envolvem uma possível articulação para favorecer a empresa Estre Ambiental na concessão dos serviços públicos.
Vereador questionou custos e cobrança da taxa de lixo
Durante a discussão sobre o projeto, o vereador Eduardo Borgo (Novo) criticou a condução da proposta e levantou dúvidas sobre os impactos financeiros para a população. Entre os pontos questionados estavam os custos previstos no contrato e a cobrança da taxa de lixo antes da efetiva prestação dos serviços previstos.
As manifestações provocaram embates entre o parlamentar e a então secretária, ampliando a repercussão política do caso.
Outro episódio que passou a gerar questionamentos envolve relatos de supostos gestos obscenos atribuídos a Cilene durante as manifestações do vereador. Para esclarecer o ocorrido, porém, é necessário analisar o vídeo original na íntegra, verificar a data e considerar o contexto da gravação. Sem essa confirmação, não é possível tratar a alegação como um fato comprovado.
Investigação apura possível direcionamento da concessão
De acordo com informações divulgadas sobre a Operação Cavalo de Troia, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público, investiga suspeitas de direcionamento da concessão dos resíduos sólidos.
A denúncia descreve possíveis articulações entre representantes de setores empresariais, públicos, técnicos e jurídicos para influenciar a estruturação do procedimento. Mensagens atribuídas a Cilene e ao executivo Hamilton Libório Agle também foram mencionadas nas apurações, com indícios de alinhamento sobre etapas e prazos do projeto.
As suspeitas ainda precisam ser examinadas no âmbito judicial, respeitando o direito de defesa e o contraditório. A apresentação de uma denúncia não equivale a uma condenação.
Prefeitura também está sob questionamento
Cilene ocupava a Secretaria Municipal de Meio Ambiente durante a gestão de Suéllen Rosim e foi exonerada após a deflagração da operação, em setembro de 2026.
Em depoimento à Comissão Processante da Câmara Municipal, a prefeita afirmou que não havia sido informada previamente sobre as supostas irregularidades investigadas. Também negou ter recebido um presente pessoal do executivo ligado à Estre Ambiental e declarou que não acompanhava diretamente todas as etapas técnicas da concessão.
A responsabilidade de cada agente público deve ser analisada individualmente, com base nas provas reunidas durante a investigação.
O caso mantém em evidência a necessidade de transparência sobre a concessão, os critérios adotados para a contratação e os custos que poderão ser assumidos pelos contribuintes.
Além das suspeitas relacionadas ao contrato bilionário, o episódio envolvendo a ex-secretária e o vereador depende de esclarecimento por meio das imagens originais e de informações que permitam compreender o contexto. A apuração dos fatos é fundamental para que a população tenha acesso a informações verificadas sobre um processo de grande impacto para o município.
Fonte: Junior Petôni







