Operação Sócio Oculto cumpriu mandados em São Paulo e Salto; empresário é suspeito de usar empresas em nome de terceiros para participar de licitações públicas
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na terça-feira (27), a primeira fase da Operação Sócio Oculto, que investiga um suposto esquema de fraude na venda de veículos destinados a contratos públicos. O prejuízo inicial é estimado em R$ 3,5 milhões para uma concessionária de Piracicaba.
Um empresário de 50 anos é apontado como o principal suspeito. Segundo a investigação, ele utilizaria empresas registradas em nome de terceiros para participar de licitações em diferentes municípios e retirar veículos diretamente da montadora sem realizar os pagamentos devidos.
O caso começou a ser investigado em fevereiro, após uma concessionária ligada a uma fabricante francesa denunciar irregularidades. Conforme a polícia, o empresário havia sido contratado para comercializar veículos da marca em licitações públicas.
De acordo com os investigadores, o suspeito retirou inicialmente 27 veículos e realizou os pagamentos, conquistando a confiança da montadora e da concessionária. Posteriormente, outros 15 automóveis teriam sido retirados sem pagamento. Cada unidade está avaliada em aproximadamente R$ 230 mil.
Com a falta de repasse dos valores, a concessionária teria ficado responsável pelos compromissos financeiros com a fabricante, assumindo o prejuízo.
A operação recebeu o nome de Sócio Oculto porque a polícia suspeita que o empresário controlava empresas formalmente registradas em nome de outras pessoas. Os investigadores também apuram alterações na composição societária de duas empresas, realizadas pouco depois dos fatos investigados, que podem ter dificultado a identificação dos responsáveis.
Com autorização judicial, equipes policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em São Paulo e Salto. Foram recolhidos documentos e aparelhos eletrônicos que serão analisados para rastrear o dinheiro e identificar possíveis envolvidos.
A investigação também apontou ocorrências anteriores relacionadas ao empresário. Em 2021, ele teria sido investigado por fatos semelhantes envolvendo outra concessionária da mesma montadora. No mesmo ano, um município da Bahia denunciou que uma empresa ligada a ele venceu uma licitação para fornecer uma van, recebeu cerca de R$ 500 mil e não entregou o veículo.
A Polícia Civil apura ainda a possível utilização de bens registrados em nome de terceiros, incluindo o apartamento onde o suspeito mora e um automóvel de alto valor.
O material apreendido passará por análise policial e pericial. A investigação busca esclarecer os fatos, reunir provas e identificar outros possíveis participantes. As suspeitas ainda dependem da conclusão das apurações.
Fonte: g1.globo.com







