Município registrou 2.124 ocorrências entre janeiro e agosto deste ano. Entre as vítimas está um trabalhador da construção civil que precisou amputar um dedo após ter a mão esmagada em uma obra.
Os acidentes de trabalho continuam preocupando em São Carlos (SP). Entre janeiro e agosto deste ano, o município contabilizou 2.124 notificações, um aumento de 9,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 1.936 casos. Os dados são do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest).
Um dos casos envolve o rasteleiro José Nilson Martins do Espírito Santo, que sofreu um grave acidente enquanto trabalhava na construção civil. Durante a execução de um serviço, uma tampa de concreto caiu sobre sua mão, provocando o esmagamento de um dos dedos. Após meses de acompanhamento médico, ele precisou amputar o dedo indicador no dia 1º de outubro. O trabalhador está afastado das atividades há quatro meses e segue em recuperação.
Antes do procedimento, José relatou que não recebeu equipamentos de proteção adequados para a função. Segundo ele, a luva de tecido fornecida pela empresa não oferecia a segurança necessária para o manuseio de materiais pesados, como blocos e peças de ferro. A gravidade da lesão e o risco de avanço de uma infecção levaram os médicos a recomendar a amputação.
Outro acidente registrado na cidade atingiu a atendente Luana Garcia. No mês passado, ela sofreu queimaduras de segundo grau no braço e na mão enquanto trabalhava em um restaurante. Ao organizar o carrinho de serviço no encerramento do expediente, uma panela contendo molho branco virou e atingiu seu corpo. A funcionária precisou de atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e permanece em recuperação em casa, utilizando medicamentos e pomadas.
A preocupação com a segurança também ganhou destaque após uma explosão registrada em 9 de outubro na usina Itaiquara, em Tapiratiba (SP). O acidente deixou duas pessoas mortas e outras três feridas.
Especialistas apontam que o aumento das notificações pode estar relacionado tanto ao crescimento efetivo dos acidentes quanto à melhoria nos mecanismos de registro. Apesar disso, a subnotificação ainda representa um desafio, já que nem todas as ocorrências são comunicadas oficialmente. Empresas que deixam de informar os acidentes podem sofrer penalidades e multas.
A procuradora do Trabalho Luana Lima Duarte destaca que a prevenção deve começar pela adoção de medidas de proteção coletiva, que precisam ser priorizadas para reduzir os riscos no ambiente profissional. Quando essas medidas não forem suficientes para eliminar os perigos, os trabalhadores devem receber Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) apropriados para cada atividade.
Em situações de acidente, a empresa tem a obrigação de providenciar atendimento imediato à vítima e emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), documento que formaliza a ocorrência. A legislação previdenciária também garante estabilidade provisória ao trabalhador por até 12 meses após o retorno às atividades, desde que atendidos os requisitos legais.
Os números reforçam a importância da fiscalização, da prevenção e do fornecimento de equipamentos adequados, além da responsabilidade das empresas em garantir condições seguras para o exercício das atividades profissionais.
Fonte: g1.globo.com







