Os estudantes da Faculdade Anhanguera da avenida Atlântica, em São Bernardo, ficaram revoltados esta semana quando viram milhares de livros encherem uma caçamba de entulho. Os títulos, aparentemente novos, alguns ainda comercializados em livrarias, sequer foram oferecidos aos alunos ou a outras instituições. A Anhanguera não se explicou sobre o assunto.
Um aluno da unidade conseguiu fazer uma foto dos livros, e até tentou se aproximar, mas os funcionários da empresa que fazia o recolhimento impediram a aproximação de pessoas e disseram que as obras seriam trituradas para reciclagem. “Mesmo assim. na hora que os funcionários entraram para pegar mais uma carga de livros alguns acabaram salvos da caçamba. Minha colega conseguiu pegar cinco livros jurídicos que vai dar para o irmão que vai se graduar na área. São livros novos, em perfeito estado”, diz.
O aluno, que cursa Enfermagem na Anhanguera, conta que não houve nenhuma oferta de livros para os alunos. “Podiam ter doado, não nos ofereceram. Eu questionei o coordenador de sala que parece ter ficado surpreso também e disse que ia me dar uma resposta, mas até agora nada. Um professor que atua também em outra unidade da Anhanguera contou que aconteceu problema igual outra unidade, só que lá os alunos puderam pegar o que lhes interessava, diferente daqui que preferiram jogar fora. O estranho é que a Anhanguera faz campanha para arrecadar doações para o Rio Grande do Sul, então porque não doaram os livros para lá?”, indaga o estudante.
O professor da UFABC (Universidade Federal do ABC), Fernando Luiz Cássio da Silva, especialista em educação, considerou absurda a ideia de uma instituição de cursos superiores se desfazer de livros. “Eles precisam ser doados para outras instituições de ensino, ou para os próprios estudantes com renda mais baixa. Muita coisa poderia ser feita ao invés de atirar os livros na lixeira. Quando uma faculdade joga fora livros ela está jogando fora sua própria infraestrutura. Eu acho um absurdo triturar livros, porque não doar?”, indaga.
Para o especialista na área de educação, o motivo do descarte precisa ser estudado. “Será que vão atualizar o acervo, ou estão eliminando uma biblioteca e investir em cursos online? Isso a faculdade precisa explicar”, completa.
Procurada através de sua assessoria de imprensa, a Anhanguera não se posicionou até o fechamento desta reportagem.
*Fonte: www.reporterdiario.com.br







