Brasil é dos brasileiros, não deve aceitar ser tratado como “subalterno”, além disso, as empresas estrangeiras devem obedecer à legislação nacional indepedente de que país forem.
Em resposta direta a uma declaração do presidente estadunidense Donald Trump, o presidente do Brasil Lula defendeu com veemência nesta semana a soberania do Brasil para regular as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs.
A fala de Lula, feita durante evento no Palácio do Planalto, foi uma réplica a uma publicação de Trump nas redes sociais na noite anterior, na qual o republicano ameaçou nações que tentassem impor regulações às companhias americanas.
Lula fez seu comentário citando a ameaça de Trump, publicada no Twitter, mais uma vez dizendo “quem mexer com as big techs estadunidense vai sofrer as consequências, … as big techs são um patrimônio americano e que ele não aceita que ninguém mexa”.
O presidente do Brasil contra-atacou, estabelecendo uma clara linha de defesa da autonomia brasileira. “Isso pode ser verdade para eles. Para nós, é um patrimônio americano, mas não é nosso patrimônio. Nós somos um país soberano, nós temos uma Constituição e uma legislação, e quem quiser entrar nesses oito milhões e meio de quilômetros quadrados, no nosso espaço aéreo, no nosso espaço marítimo, na nossa floresta tem de prestar contas à nossa Constituição e à nossa legislação.“
A declaração do presidente brasileiro eleva o tom de um debate global crucial: até que ponto um país pode legislar sobre empresas digitais globais, cuja sede e origem estão em outra nação?
O Brasil tem em trâmite no Congresso projetos de lei que buscam combater a desinformação, regular o mercado digital e estabelecer responsabilidades para essas plataformas.
Apesar do tom firme, Lula deixou claro que a via preferencial do governo é o diálogo. Ele destacou que o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o chanceler Mauro Vieira estão “24 horas por dia à disposição de negociar com quem quer que seja o assunto que for, sobretudo na questão comercial”.
No entanto, o mandatário estabeleceu uma condição fundamental para qualquer negociação: a igualdade de condições. “Estamos dispostos a sentar na mesa em igualdade de condições. O que não estamos dispostos é sermos tratados como se fôssemos subalternos. Isso não aceitamos. De ninguém. De ninguém”, afirmou, com ênfase.
A fala final do presidente resumiu o princípio que guia a postura de seu governo no cenário internacional: “É importante saber que o nosso compromisso é com o povo brasileiro. O Brasil é dos brasileiros”.
Fonte: UOL