Sob o comando de Helinho Zanatta do PSD, prefeitura atropela clamor popular e sanciona reajuste de imposto em mais de 20% “no apagar das luzes”, expondo o abismo entre o discurso partidário e a prática arrecadadora.
O discurso de “menos impostos e mais eficiência”, bandeira amplamente alardeada pelo PSD (Partido Social Democrático) em nível nacional, estadual e municipal, está mais para hipocrisia de palanque do que a prática no dia a dia do seus partidários no poder. Em uma manobra rápida e estratégica de final de ano, o prefeito de Piracicaba (SP) – Helinho Zanatta – sancionou, nesta terça-feira (30), o projeto de lei que altera a Planta Genérica de Valores (PGV) e impõe um aumento médio de 21,5% no IPTU a partir de 2026.
A publicação no Diário Oficial ocorre menos de 24 horas após a aprovação na Câmara Municipal, realizada sob um clima de forte tensão e protestos. A rapidez na sanção contrasta com a dificuldade da administração em dialogar com os contribuintes, que agora amargam um reajuste muito acima da inflação.
No “apagar das luzes” – o cronograma da aprovação revela uma tática clara de esvaziamento do debate público. A prefeitura tentou pautar o aumento inicialmente no dia 15 de dezembro, mas a falta de quórum barrou o avanço. Sem recuar, a gestão Zanatta convocou sessões extraordinárias em pleno período de festividades, protocolando o pedido no dia 23 de dezembro.
Na última segunda-feira (29), enquanto boa parte da população já se desligava da rotina política, os vereadores deram o aval final ao texto. O resultado é uma atualização do valor venal dos imóveis que pesará diretamente no bolso do cidadão piracicabano, sem que qualquer contrapartida em corte de gastos públicos tenha sido apresentada com o mesmo vigor.
Incoerência como método – o episódio coloca o prefeito e seu partido em uma situação de desconforto ideológico. Nas redes sociais e na imprensa, o PSD se posiciona como uma legenda favorável ao livre mercado, à desoneração do setor produtivo e ao enxugamento da máquina pública. Contudo, em Piracicaba, a receita aplicada foi a mais tradicional e impopular possível: o aumento da carga tributária.
“Dizem-se contra impostos para ganhar o voto, mas governam com a mão no bolso do povo”, protestava um morador em frente à Câmara durante a votação de segunda-feira (29/12).
A crítica central reside na ausência de medidas de austeridade que justifiquem a necessidade de arrecadar mais. Ao optar por reajustar a PGV em mais de 20%, a gestão Zanatta escolhe o caminho mais fácil para o caixa da prefeitura, ignorando a máxima liberal de que o Estado deve gastar menos para não tributar mais.
Com a nova lei em vigor:
- Reajuste Médio: O aumento previsto é de 21,5%.
- Base de Cálculo: O valor venal dos imóveis foi atualizado, o que pode gerar distorções e aumentos ainda maiores em bairros específicos.
- Vigência: A nova tabela passa a valer para o exercício de 2026.
Piracicaba encerra o ano com um gosto amargo. A cidade descobre, da pior forma, que as promessas de campanha e os programas partidários muitas vezes são apenas peças de ficção que se desmancham diante da primeira oportunidade de aumentar a receita municipal à custa do contribuinte.
Fontes: Canal Piracicaba – Rápido no Ar – G1 Globo Piracicaba







