Especialistas avaliam governo de 12 anos como “oportunidade perdida”, com legado de hiperinflação, êxodo em massa e violações de direitos humanos.
A captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, neste sábado (03/01/2025), sinaliza o epílogo de mais de duas décadas do regime chavista no poder. A trajetória de Maduro, que herdou o comando de Hugo Chávez em 2013, consolidou-se como um governo cada vez mais autoritário e antidemocrático, deixando como saldo o que analistas classificam como uma “oportunidade perdida” histórica para a Venezuela.
O ex-líder sindical e motorista de ônibus, designado por Chávez como seu “herdeiro político”, assumiu prometendo continuar o projeto do “socialismo do século 21”. Eleito por uma margem mínima em 2013 (50,61% dos votos), Maduro herdou um país profundamente polarizado e era ideal para uma política de abertura e reconciliação. Em vez disso, o presidente optou por radicalizar o discurso e a repressão.
Para os venezuelanos, o nome de Maduro está indissociavelmente ligado a alguns dos piores capítulos de sua história recente. “Seu legado é muito ‘pobre’ e ‘negativo’ em matéria econômica, social e de direitos humanos”: a hiperinflação devastadora, o êxodo de mais de 8 milhões de cidadãos na última década e as acusações de crimes contra a humanidade, incluindo execuções extrajudiciais e tortura, que são investigadas pelo Tribunal Penal Internacional.
Apesar de se autointitular um “presidente operário”, parte central do legado de Maduro é, paradoxalmente, “a destruição do salário e das pensões”. O salário mínimo e as aposentadorias na Venezuela estão hoje abaixo de um dólar por mês.
Seu regime foi marcado pela sistemática eliminação de garantias democráticas: mais de 860 presos políticos, dezenas de partidos políticos interditados e centenas de impedimentos para concorrer a cargos públicos, incluindo o da principal líder opositora, María Corina Machado.
A fachada democrática foi mantida através de pelo menos cinco processos de diálogo com a oposição, mediados internacionalmente, que, segundo analistas, sempre se converteram em “armadilhas” para desmobilizar adversários e ganhar tempo, sem nunca conduzir às exigidas eleições livres. Após três eleições presidenciais apertadas e controversas, Maduro se tornou um dos mandatários com a legitimidade mais questionada da região, mesmo entre antigos aliados.
Para uma significativa parcela da população venezuelana e da comunidade internacional, especialmente após as eleições de julho de 2024 amplamente denunciadas como fraudulenta, o ciclo que agora se encerra com sua captura é simplesmente o legado de um ditador.
Fonte: Deutsche Welle







