Investigação do Banco Central identificou 36 empresas que teriam participado de fraude envolvendo fundos de investimento da gestora Reag
O Banco Central descobriu um esquema de desvio de R$ 11,5 bilhões do Banco Master. A fraude funcionava assim: 36 empresas tomavam empréstimos fictícios do banco e o dinheiro circulava por fundos de investimento até voltar para as mãos dos envolvidos no golpe.
O dinheiro começava com clientes comuns que faziam depósitos no Banco Master através de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), aqueles investimentos garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito.
Em seguida, o banco concedia empréstimos milionários para empresas suspeitas, muitas delas pequenas, do setor de construção civil, com capital baixíssimo (algumas com menos de R$ 1 mil) e criadas há pouco tempo. Algumas parecem nem ter atividades reais, sendo apenas empresas de papel.
O maior empréstimo identificado foi de R$ 449 milhões para a empresa Brain Realty. No total, cada empresa recebeu em média R$ 288 milhões.
Depois de receber os empréstimos, essas empresas investiam o dinheiro em fundos da gestora Reag, principalmente os fundos D Mais e Bravo. Esses fundos, por sua vez, investiam em outros fundos da mesma Reag, como o FIDC High Tower.
O truque principal acontecia no fundo High Tower: ele comprava títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) por valores baixos no mercado, cerca de R$ 850 milhões. Depois, esses mesmos papéis eram registrados na contabilidade do fundo por um valor absurdamente maior: R$ 10,8 bilhões.
Essa diferença gigantesca entre o preço real e o preço fictício era o lucro embolsado pelos envolvidos no esquema. Foi tão lucrativo que o fundo chegou a informar um retorno de mais de 10 milhões por cento em 2024, gerando ganho de R$ 10,5 bilhões em um ano.
Após o desvio, começava a lavagem do dinheiro para esconder quem eram os verdadeiros beneficiários. O dinheiro era transferido várias vezes entre fundos exclusivos ligados à Reag (Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Maia 95 e Anna) até chegar em contas de “laranjas” – pessoas que emprestam o nome para esconder os verdadeiros donos.
No caso da Brain Realty, o Banco Central rastreou que o dinheiro voltou para o próprio Banco Master em forma de aplicação em CDB, completando o ciclo da fraude.
O Banco Central identificou que esse esquema está ligado a outra fraude: a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). Segundo as investigações, essas carteiras eram de empréstimos que não existiam.
A ligação entre as duas fraudes foi descoberta quando os controladores do Master e do BRB pediram aumento de capital usando justamente o dinheiro que estava nas contas dos laranjas que receberam os recursos desviados.
O Banco Central pediu ao Ministério Público o congelamento dos R$ 11,5 bilhões que estão em nome dos laranjas. O objetivo é recuperar esse dinheiro para pagar os credores do Banco Master, que está falido, incluindo o Fundo Garantidor de Crédito e fundos de pensão de entidades públicas.
O que dizem os envolvidos
A gestora Reag afirmou que não é alvo da investigação e que seus fundos são regulados, auditados e supervisionados pelos órgãos competentes. A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Master, negou qualquer relação com as operações policiais mencionadas nas notícias.
A Reag também foi citada na Operação Carbono Oculto, de agosto de 2025, que investigou o uso de fundos de investimento para lavar dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Fonte: Valor Ecônomico e Consultor Jurídico







