Com o menor índice em oito anos, o custo de vida deu uma trégua, mas a conta de luz ainda foi o grande vilão do orçamento.
O ano de 2025 terminou com uma notícia positiva para o consumidor: a inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), fechou o ano em 4,26%. Esse número representa a menor taxa anual desde 2018 e o quinto menor resultado desde a criação do Plano Real. Com esse desempenho, a inflação voltou a ficar dentro do limite máximo (teto) da meta estabelecida pelo Banco Central, algo que não havia ocorrido em 2024.
O que ajudou a segurar os preços? Se você sentiu que o custo da feira foi menos agressivo, os dados confirmam essa percepção. O grupo de Alimentação e Bebidas registrou uma alta de apenas 2,95% em 2025, uma queda significativa em relação aos 7,69% do ano anterior. Itens fundamentais na mesa das famílias, como arroz, feijão e batata-inglesa, tiveram recuo nos preços. Esse alívio foi impulsionado por uma safra recorde, pela queda do dólar e pela redução no preço de produtos básicos no mercado internacional.
Os principais vilões do bolso Apesar da melhora geral, alguns custos subiram mais do que a média:
- Energia Elétrica: foi a principal pressão de alta na inflação, com um aumento de 12,31% no ano. Esse salto ocorreu devido aos reajustes de tarifas e à maior presença das bandeiras amarela e vermelha nas contas de luz.
- Serviços: gastos com passagens aéreas, transporte por aplicativo e empregados domésticos também aceleraram, subindo 6,01%.
- Monitorados: itens com preços regulados pelo governo ou por contratos, como a própria luz, subiram 5,28%, refletindo menos a lei da oferta e procura e mais as regras contratuais.

Em resumo, o Brasil viveu um ano de equilíbrio: enquanto o campo e o dólar ajudaram a baratear a comida, as contas fixas de casa e os serviços impediram que a inflação caísse ainda mais.
Analogia para entender o IPCA – imagine que a inflação é como o peso de uma mochila que você carrega o ano todo. Em 2025, alguns itens pesados foram retirados (como o arroz e o feijão), mas outros itens ganharam volume (como a conta de luz). No fim do dia, a mochila ainda está um pouco mais pesada do que no início do ano, mas o esforço para carregá-la foi o menor que você teve em muito tempo.
Fonte: Valor Econômico







