Plantas sem controle favorecem inseto transmissor da doença e ameaçam pomares comerciais
Pés de laranja, limão e mexerica cultivados em quintais, sítios e áreas de pastagem, sem manejo adequado, representam um risco à citricultura no interior paulista. Essas plantas podem se tornar focos do greening, doença considerada a mais grave do setor, ao favorecer a reprodução do inseto psilídeo, transmissor da bactéria.
O alerta foi feito pelo pesquisador Renato Bassanezi, do Fundecitrus e vice-diretor do CPA-Citrus, durante o lançamento do novo centro de pesquisas com sede virtual na Esalq/USP, em Piracicaba. Segundo ele, plantas doentes funcionam como reservatórios da bactéria e, por não receberem pulverização nem controle do inseto, acabam contaminando pomares comerciais.
O problema também ocorre em áreas rurais, onde pés de citros surgem de forma espontânea em pastagens, muitas vezes a partir de sementes espalhadas pelo gado. Ao se alimentar dessas plantas, o inseto adquire a bactéria e pode transmiti-la rapidamente a lavouras produtivas.
Dados do Fundecitrus mostram que, em 2025, o greening atingiu 47,63% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste Mineiro, um aumento de 7,4% em relação a 2024. Regiões como Limeira, Avaré e Bebedouro estão entre as mais afetadas.
Além dos citros, murtas ornamentais, conhecidas como jasmim-laranja, também favorecem a proliferação do inseto. Para conter o avanço da doença, o estado de São Paulo proibiu em 2025 o plantio e o uso da murta no paisagismo urbano.
Criado para fortalecer o combate ao greening, o CPA-Citrus reúne instituições do Brasil e do exterior e conta com investimento de R$ 90 milhões, com foco em pesquisas e estratégias para proteger a citricultura paulista.
Fonte: g1.globo.com







