Alegações falsas sobre taxação do sistema de pagamentos são usadas para alimentar pânico financeiro e, em casos isolados, aplicar golpes contra fiéis
Alegações infundadas sobre o sistema de pagamentos PIX têm circulado em círculos evangélicos brasileiros, propagadas por alguns líderes e influenciadores de grandes igrejas. As informações falsas geralmente envolvem supostas taxações governamentais sobre transações ou mudanças drásticas no funcionamento da ferramenta, sem qualquer base factual.
As desinformações sobre o PIX seguem três padrões principais. O primeiro envolve a disseminação deliberada de notícias falsas sobre uma taxação inexistente do governo federal sobre o sistema de pagamentos instantâneos. Essas alegações distorcem medidas fiscais legítimas ou inventam completamente regulamentações que não existem.
O segundo padrão identificado relaciona-se ao uso do pânico financeiro para tentar criar o caos e amedrontar os fiéis. Líderes religiosos com posicionamento político definido têm utilizado o tema para criticar o governo, aproveitando-se da capilaridade das igrejas para amplificar narrativas conspiratórias sobre controle financeiro e invasão de privacidade.
O terceiro e mais grave padrão envolve esquemas de estelionato religioso. Em casos isolados, a desinformação sobre o PIX serve como pretexto para golpes financeiros contra fiéis. Criminosos se aproveitam da confiança depositada em líderes religiosos para aplicar fraudes, oferecendo supostas “alternativas seguras” ao PIX ou solicitando transferências para “proteger” o dinheiro dos fiéis de uma taxação imaginária.
O Banco Central do Brasil já desmentiu diversas vezes alegações sobre taxação do PIX para pessoas físicas. O sistema permanece gratuito para usuários individuais, com eventuais cobranças aplicáveis apenas a pessoas jurídicas em situações específicas, conforme regras estabelecidas pelas próprias instituições financeiras.
A combinação entre confiança religiosa, ansiedade econômica e polarização política cria um ambiente propício para a viralização de conteúdos enganosos.
Organizações de checagem de fatos têm trabalhado intensamente para desmentir as alegações infundadas, mas enfrentam dificuldades pela velocidade de propagação das mensagens em grupos fechados de aplicativos de mensagens e redes sociais ligadas a comunidades religiosas.







