Sabesp promove a escassez seletiva: periferia paga o preço da falta de água na Grande São Paulo

Racionamento atinge comunidades mais pobres, força armazenamento precário e agrava riscos à saúde, enquanto o poder público e a Sabesp negam falhas estruturais

Há pelo menos três meses, moradores da comunidade Morro da Lua, no Jardim Ingá, distrito do Campo Limpo, zona sul da capital, convivem com uma rotina marcada pela incerteza e pela desigualdade no acesso à água. Em uma das maiores metrópoles do país, famílias inteiras dependem de baldes, garrafas e tanques improvisados para beber, cozinhar e manter a higiene básica — um retrato cruel da política de distribuição da escassez que penaliza, de forma recorrente, os bairros mais pobres da Grande São Paulo.

Carol Gomes, 40 anos, mãe de dois filhos, relata períodos de até cinco dias consecutivos sem abastecimento. Sem alternativa, parte do pouco dinheiro destinado ao transporte para o trabalho é usada para comprar água.

O armazenamento improvisado, feito muitas vezes sem vedação adequada, expõe as famílias a outro problema grave: o avanço da dengue.

Na comunidade caixas-d’água destampadas, baldes abertos, pneus abandonados e lixo acumulado formam condições ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Não se trata de negligência individual, mas de uma imposição estrutural: quando o Estado falha em garantir o direito básico à água, a população é empurrada a soluções de risco. Em 2025, o distrito do Campo Limpo já registrou 1.365 casos de dengue e uma morte.

Comerciantes também sofrem os impactos. Marlene Campos dos Santos, 63, dona de um pequeno restaurante, precisa comprar água para cozinhar e manter galões abertos para lavar louça. Ela própria já teve dengue, assim como o filho. Ainda assim, a sobrevivência econômica fala mais alto do que a prevenção sanitária.

A justificativa técnica pela falta de água escancara uma escolha política: nas áreas mais altas, periféricas e pobres, o serviço falha primeiro e demora mais a ser restabelecido.

Em nota, a Sabesp afirma que o abastecimento na medida do possível tem sido normalizado após reparos e atribui o problema ao aumento do consumo e às altas temperaturas.

A Secretaria Municipal da Saúde diz realizar ações de combate à dengue e promete distribuir telas para caixas-d’água. Medidas paliativas que não enfrentam o núcleo do problema: a desigualdade no acesso a um direito fundamental.

Fonte: Folha de S. Paulo

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