Queda de 19% em um ano, para 50,5 mil famílias, é atribuída a melhorias no emprego e revisão cadastral, segundo governo federal; programa atinge 11,4% da população da metrópole
A cidade de Campinas registrou, em dezembro de 2025, o menor número de famílias beneficiárias do programa Bolsa Família para o mês desde 2022. Os dados mais recentes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) apontam que 50.539 famílias receberam o auxílio, encerrando um ano de quedas consecutivas e marcando uma redução significativa em relação aos anos anteriores.
A trajetória recente do programa na maior cidade do interior paulista mostra um pico de atendimentos em março de 2023 (65.953 famílias) e uma tendência de alta sustentada acima de 60 mil benefícios até meados de 2024.

A partir de então, os números começaram a declinar. Em dezembro de 2022, eram 61.097 famílias; em dezembro de 2023, 62.376; e em dezembro de 2024, 59.539. A queda de cerca de 19% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025 (8.990 famílias a menos) é a mais acentuada da série histórica recente.

Em nota oficial, o MDS afirmou que as variações no número de beneficiários “são parte natural da gestão do programa” e refletiriam tanto “avanços sociais quanto o compromisso do Governo Federal com a focalização e a transparência na política de transferência de renda”. A pasta detalhou três principais motivos para a redução observada:
- Melhora nas Condições de Emprego e Renda: o Ministério avalia que “muitas famílias conseguiram se inserir no mercado de trabalho, alcançando renda acima do limite estabelecido para permanência no programa”, caracterizando uma “porta de saída” bem-sucedida.
- Aprimoramento do Cadastro Único: um rigoroso processo de revisão cadastral e averiguação de informações estaria em curso para tornar a base de dados “mais precisa e atualizada, evitando pagamentos indevidos” a famílias que não preenchem mais os critérios.
- Lógica do Programa como Porta de Saída: o governo enfatiza que o objetivo do Bolsa Família é “apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade até que elas consigam retomar autonomia, garantindo que o benefício chegue a quem realmente precisa”.
As 50.539 famílias atendidas em dezembro de 2025 representam 136.569 pessoas diretamente beneficiadas na cidade. Considerando a população estimada de Campinas pelo IBGE (1.187.974 habitantes em 2025), os beneficiários do programa representam 11,4% dos moradores.
O investimento federal na cidade no último mês do ano foi de R$ 38.032.317,00, o que resulta em um benefício médio de R$ 730,46 por família em Campinas, valor acima da média nacional do programa, que considera a composição familiar e vulnerabilidades específicas.
Contexto Histórico do Programa na Cidade
O programa de transferência de renda, que chegou a se chamar Auxílio Brasil entre 2021 e março de 2023, tem uma longa trajetória em Campinas. Iniciou em 2004 com apenas 3.780 famílias. O número superou a marca de 40 mil durante a pandemia de Covid-19, em 2020, e, já como Auxílio Brasil, deu um salto a partir de 2022, refletindo tanto a expansão do programa na época quanto o agravamento da vulnerabilidade social.
A redução expressiva observada em 2025, portanto, marca um ponto de inflexão após um período de expansão sustentada, trazendo o patamar de famílias atendidas de volta a um nível próximo ao verificado no final de 2022.
Fonte: G1 Campinas








