Estados que se dizem oposição ao governo Lula lideram ranking de inadimplência coberta pelo Tesouro Nacional; Rio de Janeiro e Minas Gerais somam mais de 70% do montante
O Governo Federal precisou abrir os cofres em 2025 para evitar um colapso na credibilidade financeira do país. Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional, a União desembolsou R$ 11 bilhões para honrar parcelas de empréstimos estaduais que não foram pagas pelos entes federativos. O cenário revela uma concentração política: os estados mais dependentes desse socorro são todos governados por opositores à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A prática ocorre quando um estado não quita financiamentos junto a bancos ou organismos internacionais que possuem a garantia do Tesouro. Para evitar que o Brasil sofra retaliações no sistema financeiro ou queda em notas de crédito, a União assume a dívida.
O Mapa do “Calote”
Os quatro estados que mais demandaram recursos federais estão inseridos no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), um programa que exige contrapartidas de ajuste nas contas públicas em troca de auxílio financeiro.
- Rio de Janeiro (Cláudio Castro – PL): lidera isolado o ranking, com R$ 4,69 bilhões pagos pela União (42,35% do total).
- Minas Gerais (Romeu Zema – Novo): registrou o segundo maior volume, com R$ 3,55 bilhões (32,05% do total).
- Rio Grande do Sul (Eduardo Leite – PSD): demandou R$ 1,59 bilhão do governo federal.
- Goiás (Ronaldo Caiado – União Brasil): teve R$ 888,06 milhões em dívidas quitadas pelo Tesouro.
Somados, Rio de Janeiro e Minas Gerais representam quase três quartos de todo o valor que a União teve que desembolsar no ano passado.
Déficit Histórico na Recuperação de Valores
Embora a União pague as dívidas para manter a estabilidade econômica, o retorno desse dinheiro aos cofres federais é lento e insuficiente. O Relatório Mensal de Garantias Honradas aponta um abismo entre o que sai e o que volta para Brasília.
Desde 2016, o governo federal já acumulou um desembolso de R$ 86,52 bilhões para cobrir falhas de pagamentos de estados e municípios. No entanto, o montante recuperado nesse período foi de apenas R$ 5,9 bilhões. A título de exemplo, no último mês de dezembro de 2025, enquanto bilhões seguiam em aberto, a União conseguiu reaver apenas R$ 25,02 milhões.
Resumo dos Pagamentos em 2025:
| Estado | Governador / Partido | Valor Honrado (R$) | % do Total |
| Rio de Janeiro | Cláudio Castro (PL) | 4,69 bilhões | 42,35% |
| Minas Gerais | Romeu Zema (Novo) | 3,55 bilhões | 32,05% |
| Rio Grande do Sul | Eduardo Leite (PSD) | 1,59 bilhão | 14,45% |
| Goiás | Ronaldo Caiado (União) | 888,06 milhões | 8,07% |
| Outros | – | 281,94 milhões | 3,08% |
Fonte: Metropoles







