Enquanto Prefeitura e empresa trocam acusações sobre rescisão de contrato, a sujeira se espalha por todo canto da cidade, devido a falta de pontualidade e qualidade no serviço de coleta do lixo em Porto Ferreira.
O cidadão ferreirense, que inicia o ano honrando o pagamento de seus impostos e a taxa de coleta de lixo, recebeu em troca um cenário de descaso e insalubridade. Nos últimos dias, o que se vê pelas ruas da cidade não é o caminhão de coleta, mas sim montanhas de detritos que se acumulam sob o sol e a chuva, expondo a incapacidade de gestão tanto da Prefeitura Municipal quanto da empresa terceirizada Encom Serviços Urbanos.
O imbróglio, que deixou a população à mercê de odores insalubres, é fruto de uma queda de braço onde os dois lados falharam. De um lado, uma empresa que abandonou o serviço alegando prejuízo; de outro, uma administração pública que não garantiu a continuidade de um serviço essencial, reagindo apenas quando o caos já estava instalado.
O Jogo de empurra: desculpas que não limpam a rua
A crise estourou quando a Encom protocolou o pedido de rescisão contratual no dia 9 de janeiro. Segundo o prefeito André Braga (PL), a empresa simplesmente “abandonou” o serviço, deixando funcionários sem benefícios e gerando prejuízos diretos ao município. O jurídico da prefeitura negou a rescisão, mas a negativa não foi suficiente para manter os caminhões nas ruas.
Por outro lado, a Encom rebate as críticas com acusações graves. A empresa afirma que a Prefeitura ignorou pedidos de revisão contratual feitos ainda no ano passado, alegando que o valor repassado não cobria sequer os custos trabalhistas. Para agravar a situação, a empresa declara que não recebeu nenhum repasse da Prefeitura em 2026, tornando a operação financeiramente insustentável.
Para o morador do município que paga o carnê em dia, pouco importa quem deve a quem. O fato é que a coleta, que já vinha apresentando baixa qualidade e falta de pontualidade, agora simplesmente inexiste em diversos bairros.
Medidas de emergência – tentando conter o desgaste político e sanitário, o Prefeito André Braga informou a abertura de uma licitação emergencial e, posteriormente, uma definitiva.
O cenário em Porto Ferreira é o retrato de uma gestão de serviços públicos que falhou em sua premissa básica: a continuidade. A falta de diálogo preventivo entre o poder público e a prestadora de serviço resultou em uma cidade suja e uma população indignada. Enquanto as “notas oficiais” tentam transferir a culpa, o lixo continua na porta de quem paga caro para não tê-lo ali.
Fonte: G1 São Carlos







